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A bondade que emergiu em meio ao caos

Bombeiros socorrendo as vítimas após o atentado de 11 de Setembro de 2001

Ha 11 anos atrás no dia 11 de setembro, praticamente todos nós sabemos o que estávamos fazendo e como reagimos com a notícia. Eu com meus 8 anos na segunda série do ensino fundamental, estava no colégio quando minha mãe me buscou e, assustada, pediu para que eu e meu irmão ficássemos em silêncio. Pois parecia que havia acontecido algum tipo acidente com um avião nas torres gêmeas em Nova Iorque e ela estava tentando escutar a notícia no rádio do carro. Eu nem sabia quais prédios eram as torres gêmeas.

Ao chegar em casa fiquei impressionado com as cenas dos dois prédios pegando fogo e do Pentágono atingido. Essas cenas fizeram com que um vizinho da minha avó em Petrópolis e um professor que tive na Holanda, mesmo vivendo realidades tão distintas, tivessem a mesma reação ao ligar a TV: ambos acharam que era um filme e só perceberam que era realidade quando perceberam que todos os canais estavam “passando o mesmo filme”.

A imagem que ficou desse dia para muitos foi com certeza a dos dois prédios pegando fogo com pessoas se jogando pela janela. E, posteriormente, a de soldados no Afeganistão… Sei que essas imagens não são imagens bonitas. Mas há outras, menos famosas, que espelham algo dito na oração de São Francisco. Há 11 anos atrás, naquele fatídico dia e nos que se seguiram, pessoas levaram amor onde havia o ódio.

Poucos sabem, mas entre os 343 bombeiros mortos em Nova Iorque estava o Frade Franciscano e capelão da FDNY (Fire Department of New York) Fr. Mychel Judge, que foi para o local logo após os ataques para rezar e dar a unção dos enfermos. Muitos bombeiros lembram da força que ele dava só com o olhar querendo confortá-los. Havia também outro sacerdote, mais afastado do World Trade Center, acolhendo as vítimas.

Em 2001 o salário de um bombeiro em Nova Iorque, em um quartel próximo do WTC, era cerca de 1200 dólares sendo que, devido a má assistência do governo, eles ainda tiravam do próprio salário dinheiro para comida no quartel e até para papel higiênico. Mesmo assim muitos, até mesmo aposentados, foram para os quartéis antes de serem convocados. Mais uma bela imagem pouco lembrada.

Na noite desse dia 11, perguntaram quais bombeiros iam aparecer no dia seguinte para trabalhar. Praticamente todos foram, mesmo sabendo das dificuldades, pois ainda tinham esperanças em achar pessoas com vida – o que, de fato, aconteceu, mesmo que em poucos casos. A população levou tantas doações que um bombeiro lembra “Eram tantos cookies que não tinha como a gente comer”. Voluntários já se uniam para fazer comida para os que iam trabalhar nas buscas, outros para fazer um cadastro daqueles que procuravam por alguém.
Em dezembro de 2002, eu fui para a Holanda e estudei em uma escola americana onde havia estudantes do mundo todo. Dentre eles paquistaneses e americanos, americanos filhos de militares que lutaram no Paquistão, no Afeganistão e, depois, no Iraque. Ambos viam a data de 11/9 como algo triste e eram amigos mesmo com o país de um atacando do outro. Isso mostra como o preconceito é algo tão tolo que uma criança entende que é errado.

Como já disse a imagem chave do 11 de setembro de 2001 é dos atentados; a imagem do que veio depois é a da guerra e também das filas de segurança nos aeroportos. Mas, como ouvi em um filme, todas as ligações que vieram das torres, do Pentágono ou do voo United 93 não foram de ódio e sim de amor. Uma mulher (acho que do voo United 93) ligou para sua família e deixou uma mensagem na caixa de voz dizendo algo como “Caso eu não os veja de novo, eu só quero que saibam que eu os amo muito”.

O ponto que eu quero chegar é: como é retratado no memorial onde ficavam as duas torres em Manhattan, o que nos deixa tristes com os atentados é a falta de amor, o vazio que cada vida deixou. Lewis, em seu livro Quatro Amores, diz “Em cada um de meus amigos existe algo que somente um outro amigo pode trazer plenamente à tona”. Acho que é isso.

Todo mundo no mundo todo de alguma forma ficou mais triste porque perdeu algo naquela terça-feira e esse algo tem alguma relação com o amor. Por isso muitos sentem até ódio e desejo de vingança. Cabe a cada um de nós mostrar que o amor existe e assim derrotar o ódio. Novamente, como São Francisco nos ensinou: onde houver ódio que levemos o amor.

 
Bernardo da Costa
Estudante de Engenharia do Petróleo – PUC – Oficina de Valores

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6 Comentários

  1. Diego Gonzalez

    Muito maneiro o texto Bernardo! Entrei no facebook hoje e vi um monte de piadinhas sobre o atentado. Não acho que devemos ficar em luto pra sempre (e muito menos fazer piada) mas, como o texto retrata bem, olhar a situação com esperança na humanidade.

  2. Lindo texto, Bernardo, acho que essa reflexão é bem válida. Fui surpreendida agora ao chegar em casa,pq de verdade nem me toquei que hj é 11 de setembro e tal… Muito obrigada por ter me feito refletir sobre algo tão bonito quanto a solidariedade humana.

  3. Salve Bernardo…

    Mais uma vez, texto bem relevante.

  4. Bernardo, parabéns pelo texto e pela reflexão. Uma das características mais marcantes do cristão é a esperança. Conseguir fazer colheita do bem onde a maioria vê o mal, verdadeiramente é uma dádiva de Deus. Rogo a Deus para que como São Francisco tenhamos a capacidade de semear amor nos corações marcados pelo ódio.
    Paz e bem!!!

  5. Sensacional, Bernardo! O estilo dos seus textos é muito bacana! Me fala muito, escreva mais para o blog!

  6. Anderson Dideco

    Gostei demais do txt, primeiro pq mt bem escrito (é sempre o q me chama logo a atenção), segundo por tudo aquilo que os comentadores perceberam: ver esperança na humanidade e possibilidade de tirar um bem do mal "aparente".
    Recomendo MUITO MESMO o filme "Torres Gêmeas" do Oliver Stone, c o N.Cage no elenco. Nao é filme catástrofe (q eu simplesmente detesto; acho q sou o único ser do planeta q ainda não assistiu Titanic, rs!), mas um filme mt humano justamente sb dois bombeiros q acabaram soterrados e o resgate deles. Vale a pena!

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