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A excomunhão do Pe. Beto – A inquisição nos nossos dias?‏

 

(imagem de: oglobo.globo.com)

“Padre brasileiro que defende gays é excomungado pela Igreja”, assim estava estampado na capa do jornal O Dia de 30/04/2012. Essa notícia, que outros meios de comunicação também abordaram de forma a ressaltar a característica inquisitorial e repressiva da Igreja Católica, me chamou bastante atenção e me fez refletir.

Foram três os meus questionamentos. Primeiro, por já ter ciência do fato, me causou certo desconforto a forma como a manchete foi construída, uma vez que colocou o padre como mais uma vítima do Santo Ofício dessa Igreja anacrônica, velha, rabugenta e que não se adapta à modernidade. Segundo, porque para uma leitura rápida de quem, como eu passava rapidamente pela rua e só teve tempo de ler a manchete em letras grandes, as razões que levaram a esta decisão não tiveram peso algum, isto é, pareceu que a Igreja carecia de razoabilidade para tomar essa medida coercitiva. Terceiro, porque opõe Igreja aos homossexuais, e também àqueles que os defendem, como se fossem inimigos. Por último, me questionei o seguinte: diante de tudo isso, qual o papel da Igreja?

Penso que para começo de conversa não há que se falar em discurso heterodoxo em matéria de fé e moral. A reflexão que o Padre Beto vinha levantando e vêm causando polêmica há algum tempo refere-se a uma forma heterodoxa de se ver a sexualidade humana. Traduzindo em miúdos, o padre sustenta um discurso diferente do Magistério e, obviamente, do Evangelho, pois para ele seria compatível com a mensagem cristã comportamentos bissexuais, homossexuais e, inclusive ter mais de um parceiro, desde que o outro consentisse. O que importa é a supremacia do amor e a transparência entre as pessoas.

Pois bem, cabem aqui algumas ponderações. Não há dúvidas de que transparência e fidelidade com o outro são importantes, todavia mais importante ainda ao cristão é viver de acordo com a Verdade Revelada. Também a supremacia do amor deve acontecer, de tal forma que foi instituída pelo próprio Cristo, no entanto, não se trata aqui de um amor qualquer. Jesus ao definir o amor como a plenitude da lei não deixou à humanidade um cheque em branco para ser utilizado nas diversas necessidades. O amor que se extrai do Evangelho não é um amor meramente carnal, sentimentalista, egoísta e desapegado. Tampouco deve ser instrumentalizado a fim de legitimar nossas faltas e inconstantes vontades. O amor que Cristo viveu e nos chama a viver com Ele só se revela plenamente no caminho do Calvário: coerência, comprometimento e renúncia.

Desta forma, há um chamado para se compreender a mensagem do carpinteiro de Nazaré em sua totalidade, não só no que nos agrada e reconforta, mas também naquilo que nos incomoda e denuncia. Parar no Cristo que se compadece dos marginalizados e perdoa os pecadores, como fez à mulher adúltera livrada do apedrejamento e esquecer o chamado à conversão que Ele a dirige ao final: “vá em paz e não tornes a pecar” (cf. Jo 8, 11), é qualquer coisa, menos cristianismo. É preciso recordar também a imagem do Jesus que não se calou diante dos vendilhões que transformaram o Templo num mercado, expulsando-os a chicotadas (Mt 21, 12).

Da mesma forma, a Igreja expulsa hoje (não antes de tentar a reconciliação) aqueles que querem reduzir o amor a “vale-tudo”. O faz, sobretudo, porque não está a serviço de interesses privados, já que serve a um Outro, serve ao próprio Cristo. Nisto consiste, penso eu, a resposta ao questionamento sobre o papel da Igreja: viver a caridade na verdade, corrigindo quando necessário, perdoando quando houver arrependimento e chamando todos à conversão. Os braços estão estendidos tanto para a mulher adúltera de 2000 anos atrás, quanto para o Pe. Beto e qualquer um de nós que falhamos hoje, a condição é reconhecer as falhas, aí consiste o perdão transformador do Senhor que diz: “Ninguém te condenou, nem eu condeno a ti, vá e não tornes a pecar”!

 

Tauat Resende
Estudante de Direito – UFF / Oficina de Valores

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