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A perseguição por causa da justiça

Se as bem-aventuranças fossem um livro de autoajuda, com certeza não fariam muito sucesso. Elas parecem indicar que a felicidade está onde nós não costumamos achar que ela se encontra. Dificilmente algum de nós, a listar quem é feliz, diria “os que choram” ou “os perseguidos”. No entanto, quando nos aproximamos da lista elaborada por Jesus percebemos que ela carrega uma sabedoria que nos desafia.

Uma das bem-aventuranças, em específico, faz com que pensemos a dicotomia entre o ser e parecer. “Bem-aventurados os perseguidos”, não qualquer perseguido, mas os que o são “por causa da justiça”.  O primeiro ponto que salta aos olhos na leitura desse texto é que a perseguição não tem valor em si mesma. De nada vale ser perseguido por ser injusto ou por prejudicar os outros.  Convenhamos que em tais casos, a suposta perseguição é fruto de um mal causado, ou seja, uma reação de defesa da parte de quem é prejudicado.

Mas a história do mundo testemunha que é frequente a perseguição ser fruto não da prática do mal, mas do bem. Não da mentira, mas da verdade. Enfim, não raro pessoas boas e verdadeiras são difamadas ou prejudicadas justamente por serem justas e verdadeiras. Quantas vezes a novidade da verdade é rechaçada violentamente ou a prática da justiça é difamada por aqueles que não são tão justos assim? Essa perseguição, no entanto, tem um fruto positivo… Ela é reveladora! Ela mostra se temos verdadeiramente fome e sede de justiça e não uma ânsia por renome e fama. Dificilmente alguém que é só aplaudido consegue discernir onde está o seu amor: se na justiça que julga praticar ou nos aplausos que está a receber.

Quando se fala em perseguição no Evangelho há que se ter em mente que a perseguição imediata era aquela que ameaçava a vida. Ou seja, os perseguidos por causa da justiça estavam numa situação onde pagavam um preço tremendamente alto. A perseguição, no entanto, nem sempre é nesse grau.  Ela pode se manifestar de diversos modos. O preço pode não ser a vida, mas, por exemplo, a fama. E Deus sabe o quanto costuma ser doído saber que falam mal de nós, que somos tidos como piores. Como incomoda não sermos do grupo dos elogiados ou dos aplaudidos.

É compreensível esse desejo de ser bem quisto, de ter bom nome. O problema está em tornar o que dizem mais importante do que o que sou. Quando o que dizem é o critério para quem sou, significa que a aparência toma o lugar da existência e que entre máscara e rosto não há mais diferença. Serei aquilo que desejarem que eu seja… Nesse contexto, ser contrariado por aderir e praticar o bem é o teste de nossa adesão a esse bem.

Cabe dizer, no entanto, que “sou perseguido” não raras vezes é uma expressão usada para uma autoindulgência, para esconder de si e dos outros que em situações concretas a injustiça está em mim e não no outro. Um exemplo fácil é o daquela pessoa que está sempre a desprezar e humilhar os outros e se julga tremendamente injustiçada quando recebe uma resposta mais ríspida. Ou daqueles que são tremendamente desagradáveis e julgam que sofrem perseguição por dizerem a verdade. Não, nem tudo que fazem conosco é perseguição… E nem toda perseguição é por causa da justiça.

A perseguição por causa da justiça ocorre quando recebo o mal por paga do bem. Ela acontece quando defendo o correto e não os meus interesses. É essa perseguição que é apontada como bem-aventurada, é ela que tem como recompensa o Reino dos Céus. É nela que o verdadeiro tesouro do meu coração é revelado. E não apenas revelado, é nessa perseguição que esse tesouro é de fato escolhido. Eu prefiro ser ou parecer? Prefiro justiça ou fama? Prefiro ser coerente ou aplaudido?

Esse tipo de opção parece algo grandioso. E de fato é! Mas ela ocorre no dia a dia, nas situações mais simples. Provavelmente todos nós teremos um ou outro momento de grandes decisões, onde nossa fome e sede de justiça serão fortemente testadas. Mas esses grandes momentos são preparados por inúmeras situações do cotidiano. Na escola, no trabalho, na vizinhança, na Igreja…

Reparem que a bem-aventurança não indica que devamos buscar a perseguição, criar situações nas quais sejamos malvistos… Não! O que devemos buscar é sermos justos! E perseverarmos nessa opção mesmo quando ela não parece nos trazer grandes benefícios. Afinal, na lógica do Reino de Deus pregada por Jesus, justiça e felicidade são questões de identidade, não de publicidade! De ser e não de parecer! E só é de fato de fato justo quem insiste no caminho não porque ele é fácil e agradável, mas porque é correto.

 

Alessandro Garcia

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