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As Crônicas de Nárnia: Lúcia e Susana Pevensie

Você provavelmente já teve contato com o mundo de Nárnia; já deve ter ouvido falar do guarda-roupa que leva para outro mundo ou do leão Aslam, de juba dourada e grande bondade. Farei, ainda assim, uma breve introdução sobre essa terra da fantasia para contextualizar e relembrar os esquecidos. As Crônicas de Nárnia é uma série de sete livros escritos por C.S. Lewis. O livro no qual nos baseamos para esses textos – O leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa – foi o primeiro a ser lançado, mas na ordem cronológica dos acontecimentos, o livro em questão é o segundo. Nele é narrada a história dos irmãos Pevensie: Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia, que estão morando um tempo com o tio, o professor Kirke. Na enorme casa em que habitam, encontram um antigo guarda-roupa que os leva para o mundo de Nárnia, onde sempre neva e nunca é Natal. A missão das crianças é libertar Nárnia do poder da falsa rainha Jadis, a Feiticeira Branca, o que conseguem com a ajuda do leão Aslam, trazendo paz novamente às criaturas narnianas.

Nesse texto apresentaremos duas personagens. Nada mais justo do que iniciarmos com a primeira dos irmãos a encontrar Nárnia: Lúcia, a Destemida, característica que a define bem. Sua coragem é revelada desde o início da história, quando ela entra no guarda-roupa e, ao encontrar Nárnia, começa a explorar o lugar. Lá ela encontra o Sr. Tumnus e logo se aproxima dele, aceitando o convite para conhecer sua casa. Talvez essa coragem se revele inocência aos nossos olhos e podemos pensar que ela estava sendo imprudente. Embora isso tenha certa razão, visto que o fauno tinha a intenção de entregá-la à feiticeira num primeiro momento, a coragem e amizade quase instantânea de Lúcia o desarmou, fazendo com que ele desistisse do plano, recebendo de pronto o perdão da menina, que, com sua ajuda, voltou para casa ansiosa para contar a novidade aos irmãos.

Ao narrar toda a história, porém, nenhum dos irmãos acreditou que de fato havia um mundo além do guarda-roupa, dizendo repetidamente que esta aventura contada fora inventada por Lúcia para distrair-se. Para eles, a caçula era muito imaginativa e alegre, podendo facilmente criar uma situação rica de detalhes e fantasiosa como a que acabara de contar. Mesmo diante da incredulidade dos irmãos, acusações de infantilidade e até da desconfiança de insanidade, Lúcia é corajosa o suficiente para manter seu discurso sem negar nenhum fato ocorrido, ainda que tudo isso a entristecesse.

Sabemos pelos irmãos que a menina dizia sempre a verdade, e é bem possível que isso tivesse algum peso na sua decisão de manter sua versão da ida a Nárnia, pois se ela voltasse atrás para evitar o constrangimento gerado pela incredulidade dos irmãos, estaria admitindo que começara a mentir, tornando-se menos confiável. Preferiu o constrangimento à mentira.

Lúcia é muito amável e por isso é muito querida por seus irmãos (excluindo aqui as situações iniciais das implicâncias de Edmundo). Quando eles por fim chegam juntos a Nárnia, ela, ao invés de agir de maneira prepotente por ter razão sobre a existência do lugar, perdoa os irmãos quando sinceramente se desculpam por não acreditarem em suas palavras e se dispõe a apresentar o local para eles.

Por ser a caçula, eles têm por ela um certo senso de responsabilidade. Susana, sendo a menina mais velha dos irmãos, toma para si o cuidado materno na ausência dos pais, agindo com prudência diante de cada situação que se colocam, prezando sempre pela segurança de todos. Essa postura, no entanto, se transforma algumas vezes em pessimismo ou medo, propondo repetidamente que voltem para casa, desistam de alguma aventura ou busquem a segurança a todo custo.

Apesar disso, ela fica conhecida no país mágico como Susana, a Gentil, pois age com docilidade com as pessoas, busca resolver os conflitos de imediato, mas com calma, voltando sua fala para a diplomacia, com bom senso e equilíbrio. É também muito bela e admirada pela irmã caçula, com quem tem uma relação muito próxima. Em Nárnia, estão sempre juntas e são elas que presenciam a angústia de Aslam, seu sacrifício e posterior ressureição. Nessa situação fica bem claro que a preocupação de Susana em voltar para casa e deixar para trás as situações desconfortáveis já mudara de proporção, pois ela permanece próxima à Mesa de Pedra durante o sofrimento do leão e nem mesmo após sua morte ela o abandona. É Susana também que, de maneira prudente, propõe que não contem a Edmundo sobre o sacrifício feito para salvá-lo, embora Lúcia pensasse que ele deveria saber.

De todos os irmãos, Lúcia é quem tem a relação mais profunda com Aslam. Talvez isso se dê por conta de sua inocência e pureza, permitindo que ela tenha menos reservas com o grande leão. No primeiro encontro com ele, a menina já se sente à vontade para pedi-lo que salve seu irmão Edmundo; depois, ao encontrarem os seres que foram transformados em pedra pela feiticeira, ela novamente pede a Aslam que os liberte, o que ele de fato faz.

Enquanto todos os outros irmãos recebem algum artefato de batalha no episódio do Papai Noel, Lúcia recebe um punhal para casos de extrema necessidade e um tônico com poderes curativos, que foi bastante útil após a batalha com a feiticeira. Não me parece coincidência que a personagem que mais se compadece ao ver o sofrimento dos outros seja quem recebe a possibilidade de curar àqueles que necessitam. O presente de Susana também parece bem significativo. Além do arco e flecha, ela também recebe uma trompa que, ao ser tocada, chama por ajuda a qualquer hora. Parece um bom presente para quem anseia proteger os demais, mas não é muito chegada aos conflitos, embora saiba usar muito habilmente o arco que recebeu.

As características das irmãs Pevensie são complementares, em parte se equilibram. A racionalidade e o medo de Susana vão de encontro à inocência e coragem de Lúcia. Em muitos momentos do livro, são os diálogos entre os irmãos que fazem com que a decisão tomada seja a mais acertada. Nenhum deles é somente sua virtude. Cada um tem também suas falhas, e ponderar as opiniões entre si, resolvendo juntos o que fazer é o que garante o sucesso da missão. Fosse somente pelas ideias de Lúcia, possivelmente se colocariam em mais apuros; fosse só por Susana, sairiam de Nárnia no primeiro obstáculo.

Embora encontrar um novo mundo além de um guarda-roupa não seja nossa realidade, as situações em que as personagens se encontram não nos parecem estranhas. A forma como agem também não. Não é preciso uma análise profunda para transpor a história para nosso cotidiano, onde inúmeras vezes negamos novas oportunidades e possibilidades porque temos medo (e disfarçamos muito bem esse medo como sensatez ou prudência); onde nos colocamos em um lugar inalcançável, alegando que somos muito maduros, querendo ser donos da verdade a qualquer custo; não pensamos nas consequências dos nossos atos e nos colocamos em situações delicadas; queremos somente o que está sob nosso controle; não queremos perdoar quem nos causou uma mágoa ou desejamos o mal a alguém deliberadamente. As analogias, como em todo o livro, são bem claras. Todas essas dificuldades, no entanto, não nos impedem de recebermos nossos títulos no fim da missão, desde que, como as personagens, saibamos enfrentar nossas fraquezas e desenvolver nossas virtudes, vencendo nossas guerras internas por um ideal grandioso. Mas não sozinhos. Precisamos contar com a ajuda d’Aquele que se sacrificou por nós; precisamos lembrar que nesse mundo Aslam realmente tem outro nome, mas está presente.

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