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As Crônicas de Nárnia: Pedro e Edmundo Pevensie

 

O contexto das Crônicas de Nárnia e da história do Leão, a feiticeira e o guarda-roupa você provavelmente já conhece, ou leu no nosso texto anterior. Portanto, voltemos nosso olhar ao que nos interessa, após a reflexão sobre as filhas de Eva, é hora de conversarmos sobre os filhos de Adão e reis de Nárnia, Pedro e Edmundo.

No início, percebemos apenas dois meninos simples e comuns. Pedro era um irmão mais velho comum, que tomava conta e se responsabilizava por seus irmãos. Edmundo também era um irmão mais novo comum, caçoava de sua irmã mais nova e não tinha tanto respeito com os mais velhos, gozava de não ter o peso da responsabilidade e maturidade sobre os seus ombros, talvez seja por isso que Edmundo assume um papel tão central na história.

Antes de olharmos o papel do grande rei Pedro em Nárnia, é preciso olhar o pequeno Edmundo, que no auge dos seus dez anos nos dá grandes lições. Talvez, ao ver o filme ou ler o livro você tenha pensado mal de Edmundo ou até nutrido certa raiva do menino. Porém, com maturidade e senso crítico, é possível refletir sobre a personagem de outra forma, e esse é o meu convite hoje. Não vejamos Edmundo, O mentiroso e traidor, mas o Rei Edmundo, O justo.

Edmundo é o primeiro menino a ir para Nárnia, sabemos que suas intenções não eram boas, pois ele queria pregar uma peça em Lúcia. Ao chegar lá, Edmundo logo se encontra com a feiticeira branca, que simbolizava todo o mal que reinava em Nárnia até então. Nesse encontro, percebemos a fragilidade de Edmundo diante das ofertas de Jadis. O menino é seduzido por uma simples bebida quente e manjar turco, e, por estar embebido nesses prazeres, responde a todas as perguntas da feiticeira e acredita em suas promessas. É possível que estejamos esperando demais ao acreditar que uma criança de dez anos resistiria a esses pequenos encantos. As atitudes de Edmundo lançam luzes sobre a nossa própria vida, nós somos o pequeno Edmundo, capazes de vendermos nossa fidelidade, família e dignidade por miudezas e promessas vazias. O nosso egoísmo e estômago falam mais alto. Esquecemos de quem somos e ficamos cegos, só nos importa que tenhamos mais manjar turco e que nos tornemos reis, não importa o que aconteça.

Sabemos que Edmundo acredita na feiticeira e tenta trair os irmãos quando esses vão para Nárnia, e é nesse momento que a crueldade da feiticeira se revela. Edmundo é mal recebido, destratado, humilhado e acorrentado, o sentimento de culpa e remorso começam a lhe preencher, afinal traiu aos seus por isso. O mal pode nos oferecer coisas atrativas, mas ele sempre será o mal.

Enquanto a história de Edmundo com a feiticeira acontecia, Pedro e suas irmãs já estavam em Nárnia, e com o casal de castores, encontraram o Poderoso Leão, Aslam. Quem assistiu ao filme talvez tenha a falsa sensação de que Pedro é um grande homem e talvez o mais importante dentre os irmãos Pevensie, mas Pedro ainda se tornará essa grande pessoa. O que mais nos chama a atenção para Pedro é o fato de ele não chamar a atenção, ele é um líder discreto e corajoso, ama e protege as irmãs e sobretudo crê e executa a vontade de Aslam. Pedro queria salvar o seu irmão das garras da feiticeira, mesmo sabendo de sua traição, mas segue o conselho dos castores (outra característica de um bom líder) e recorre ao único que poderia salvar Edmundo, que era Aslam.

Ao tentar se aproximar sorrateiramente do Leão e sua comitiva, a feiticeira branca é surpreendida por agentes de Aslam, que resgatam Edmundo e, com isso, reúnem os filhos de Adão. Engana-se quem pensa que o encontro foi marcado por culpa, discussões e desprezo, pelo contrário foi marcado pelo acolhimento de todos, um pedido de desculpas sincero e por uma conversa que não sabemos o teor, mas que mudou a vida de Edmundo. O caminho de arrependimento e conversão é natural a todos nós, afinal somos falhos, somos como Edmundo. Porém também precisamos ser como Pedro e abraçarmos o irmão que volta, por mais difícil que seja confiar mais uma vez.

Nossa reflexão está quase no fim, mas ainda há um episódio de extrema importância, o sacrifício e a justificação. A magia antiga e as tradições de Nárnia davam direito ao sangue de todo o traidor à feiticeira, e, obviamente, ela exigiu o sangue de Edmundo. No entanto, mais uma vez Aslam entra em ação, negocia com Jadis, que abre mão de seu direito. Os personagens não sabem sobre os termos da negociação, apenas que Edmundo estava livre, e tudo estava resolvido. Nós, leitores, entendemos rapidamente, com a ajuda do narrador, o que aconteceu. Aslam se oferece no lugar do menino, ele dá sua vida em troca. Já ouviu alguma história de um ser grandioso que se oferece como dócil cordeiro e vítima de sacrifício em troca da salvação de alguém que cometeu um ato ruim? Pois é exatamente o que aconteceu em Nárnia também.

Não demorarei explicando o fim da história e o que se sucede após o sacríficio do grande Leão, mas era preciso fazer todo esse caminho para compreendermos um pouco mais dessas personagens, e mais do que compreender, é preciso refletir.

Pedro recebe de Aslam a coroa de Nárnia e o título de Magnífico. A palavra magnificus vem da junção de duas palavras: magnus (grande) e facio (fazer). No sentido literal, podemos entender que uma pessoa magnífica é alguém que se fez grande. Ora, Pedro entrou no armário como um menino, e com a coragem de suas atitudes se fez o grande Rei Pedro. Nós também podemos ser assim, podemos ser magníficos.

Por sua vez, Edmundo também alcança o seu desejo de ser rei, mas junto aos seus irmãos, e dessa forma é muito melhor. Ele ainda recebe o título de O Justo, pois foi justificado pelo sacrifício de Aslam, desde então deixou ser mentiroso e traidor para ser um homem autêntico, que anda na verdade. É possível lutar contra nossas falhas dominantes e alcançarmos a vitória, pois podemos contar com a ajuda de Quem se sacrificou por nós, mas é necessário um arrependimento sincero das nossas faltas e uma escuta atenta à vontade de Deu… cof…cof…Aslam.

 

Alcemar Junior

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