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Cair na rotina

Podemos dizer que algo caiu na rotina quando nos acostumamos a uma coisa e perdemos aquele interesse inicial que nos animava. Dessa forma, passamos a executar uma ação de maneira automática, sem pensar nas sensações que nos traz ou sem estar, de fato, presente naquela ação. Um trabalho feito de qualquer maneira; uma música bela que se torna comum por tanto ouvirmos; uma pessoa que não nos parece mais tão interessante após um bom tempo de convivência… caiu na rotina. Percebe-se que o termo é comumente associado a algo ruim, como os casos citados, nos levando à conclusão de que a rotina é algo maçante e insosso, e que a graça está mesmo nas novidades.

Escrevo esse texto em meio a quarentena, lutando para distinguir a segunda-feira do sábado. O período é novidade para todos nós, mas longe de nos deixar animados, nos faz desejar diariamente o retorno às atividades cotidianas, das quais, em tempos comuns, reclamamos numa frequência maior do que deveríamos. Quantas e quantas vezes desejamos poder ficar no aconchego do nosso lar, sem sair para nada, lendo um livro, vendo um filme, enfim, fazendo aquilo que mais gostamos. Acontece que também a isso nos acostumamos. A essa altura, os que não estão precisando se adaptar ao home office, já não tem mais ideia do que fazer para passar o tempo. A casa já está arrumada com os móveis em novos lugares; as roupas sem uso do armário já foram separadas para doação; as séries estão em dia; aquele artesanato já foi finalizado; os livros estão em ordem… Não tem mais nada pra fazer.

Essa frase conhecida (que provavelmente já saiu da nossa boca quando éramos crianças e estávamos enfurnadas em casa durante as férias) está mais ligada a não querer fazer as coisas que devemos do que um real esgotamento de ações. Pode ser que as roupas para doar ainda não estejam organizadas, ou que você esteja postergando a limpeza da casa ou o passar roupas; adiando o estudo ou a finalização de um projeto. Há também a possibilidade de você não ter identificado o tanto de coisa que pode ser feito nesse período. Nas duas hipóteses, organizar os nossos dias amplia os horizontes e permite que tenhamos tempo disponível para nossas tarefas, obrigações, novos planos e descanso (em casa, por favor). Criar uma rotina nesse isolamento pode nos ajudar a aproveitar melhor os dias que antecedem a volta da nossa rotina habitual, tão esperada por tantos, sem deixar de ser produtivo.

Estar com todo esse tempo disponível nos desperta para a realidade de que o descanso é necessário, mas não significa, necessariamente, não fazer nada. Claro que as atuais condições para esse recolhimento não são nada boas, isso é indiscutível. Mas se de todo mal podemos tirar um bem, que esse momento seja também o que precisávamos para nos comprometermos a fazer mais por nossa rotina, a estar presente nos nossos afazeres e a executar bem nossas tarefas, com diligência. Se acostumar com algo não significa “cair na rotina”, fazer por fazer. Devemos aprender a nos encantar com o que é cotidiano e nos esforçar para voltar a ver beleza naquela música que gostamos ou admirar uma pessoa que convivemos. Assim, não enfrentaremos a rotina como um fardo, mas como uma sequência de pequenas belezas do nosso cotidiano.

Vitória Lopes – Arquiteta

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