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Capitã Marvel

Não é preciso ser um grande fã de histórias de super heróis para saber que a Marvel Studios trouxe uma nova cara para as adaptações dos quadrinhos para a telona. Os motivos são muitos. Podemos pensar na boa fidelidade dos personagens aos originais dos quadrinhos, ao mesmo tempo que se adaptam a um cenário atual. Ou mesmo na ligação entre as diversas histórias (o chamado “Universo Cinematográfico Marvel”), fazendo o espectador se sentir sempre familiar com cada história. As tiradas de humor, cores e ação, enfim. O fato é que muitos esperamos neste ano a conclusão de mais uma fase, com o filme “Vingadores: Ultimato”, mas para isso ainda faltava uma peça: Capitã Marvel. E havia o questionamento: seria a personagem bem apresentada às vésperas do grande lançamento?

De fato, o filme é bem mais do que apenas um cumprimento de tabela antes da conclusão da série Vingadores. O enredo é relativamente simples, sem muitas surpresas ou reviravoltas, e as vezes até previsível. Mas isso não torna o filme monótono, uma vez que o grande foco não está na importância da história para o universo Marvel, mas sim na personagem central.

A Capitã é Vers, que sem suas memórias do passado se junta à raça alienígena Kree para virar uma combatente (ou como ela mesmo ressalta, “guerreiros e heróis”) na guerra contra os Skrulls. A história começa a se desenvolver quando Vers, em fuga, vem parar na terra e as lembranças de sua vida aqui vão ressurgindo em sua memória. É interessante pensar como o “voltar para casa” ajuda a personagem a reencontrar sua identidade. Mais do que se lembrar que é a ex-militar americana Carol Danvers, a Capitã percebe que sua maior força não está em seus poderes, mas em seu caráter.

Carol se encontra diante do dilema que é reconhecer qual o lado que deve permanecer na batalha. O lado mais forte ou o lado mais justo? E ela prova que as circunstâncias que a fizeram uma guerreira Kree não são o que a determinam. Ou como bem disse o filósofo espanhol Ortega y Gasset: “É falso dizer que, na vida, o que decide são as circunstâncias. Ao contrário: as circunstâncias são o dilema, sempre novo, ante o qual temos que nos decidir. Mas o que decide é nosso caráter”. E Carol demonstra isso ao quebrar uma das principais regras de seu treinamento, “controlar as emoções”, ao usar da empatia como impulso para fazer o certo.

Essa sua consistência de ideias se apresenta de uma forma bem diferente da de outros heróis do universo cinematográfico Marvel. Enquanto os filmes introdutórios do Homem de Ferro ou Doutor Estranho mostram como estes amadureceram o “espírito de herói” durante a saga, deixando de lado o ego ou a vaidade, em Capitã Marvel a heroína já aparece pronta. E este é talvez um dos aspectos mais interessantes da redescoberta do passado de Carol. Estar pronta para assumir o protagonismo heroico não significa que ela não tenha limitações. Mas o filme destaque que sua força foi forjada ao longo dos anos. Numa sequência de flashbacks, Carol Danvers relembra de inúmeras vezes, desde de sua infância, em que ela falhou tentando conquistar alguma coisa. E também de tudo o que ela ouviu (algumas vezes do próprio pai) diante dessas falhas: que deveria parar de tentar, que era fraca, que não servia para aquilo, que não iria conseguir por ser mulher. E diante de todas essas contrariedades e injustiças nunca usou dos fracassos como álibi para desistir, mas como estímulo para crescer. Viveu na prática o que pontuou Victor Frankl: “a vida só adquire forma e figura com as marteladas que o destino lhe dá quando o sofrimento a põe a rubro”.

É claro que a história da personagem e o filme também apresentam algumas limitações. A relação de pouco interesse de Danvers com a Terra depois de recuperar suas memórias poderia ser melhor explicada. E o passado de Nick Fury, personagem tão importante em outras peças, também poderia ser melhor explorado e deixa um pouco a desejar. Mas Capitã Marvel é um filme que cumpre bem o seu papel de entreter e apresentar uma nova protagonista no Universo Marvel. A atriz Brie Larson, ganhadora o Oscar de melhor atriz por “O Quarto de Jack”, consegue captar bem a personagem com suas lutas e humor sutil. As referências e músicas dos anos 90, assim como as cenas de ação simples mas bem construídas, também são pontos que acrescentam bastante ao filme. E tudo isso nos deixa um pouco mais na expectativa para saber qual será o papel de Carol Danvers não só em Vingadores: Ultimato mas também na nova fase que se iniciará nos filmes da Marvel.

Sobre Diego Gonzalez

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