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Caridade

Estamos em um período em que essa palavra está cada vez mais forte na sociedade, em função de uma crise que é a maior deste século. É possível ver que esse valor, que andava tão escasso em nossa sociedade, volta a ascender com muita força, afinal nunca as estruturas de uma geração foram tão abaladas, talvez desde o período das duas Grandes Guerras do século passado.

As fotos e vídeos de cestas básicas nas redes sociais e na grande mídia se multiplicam, além dos kits básicos de higiene, pois trata-se primordialmente de um problema sanitário. Mas faz-se necessária uma reflexão sobre o exercício da caridade em si, para isso começarei com algumas perguntas aos leitores: Quando você faz suas orações, você pede misericórdia aos necessitados? Você ora pelos que têm fome? Sede? Doenças? Os que são discriminados de várias formas? São presidiários? Ou ainda faz o padrão de oração para seu fortalecimento individual, no máximo de familiares, amigos e namorado(a), esposo(a) e pessoas próximas?

No Evangelho Segundo Mateus capítulo 25, versículos 35 ao 45, a importância da caridade é ressaltada, sendo tão obrigatória aos cristãos como as orações, a confissão, a crença em Deus e nos sacramentos, etc. Só que a caridade não pode ficar resumida apenas a doações em períodos como Natal, Páscoa e dia das crianças, ou em grandes crises, ela deve ser um exercício diário de fé e combatividade. Aí vão mais algumas perguntas: com qual pastoral ligada à caridade você tem envolvimento? Em qual movimento social em defesa do próximo, dentro ou fora da igreja você está envolvido? Seu grupo ou comunidade eclesiástica é promotor da caridade interna e externa? Se a resposta for sim, você e seu grupo estão no caminho certo. Se for não, é necessário questionar e revisar as metas espirituais e materiais do grupo pertencente e as suas.

Vivemos num mundo que é naturalmente um grande produtor de injustiças, as mazelas do nosso modo de vida ficam expostas em diversos problemas como: fome, doenças, condições sanitárias precárias, violência urbana e rural, preconceito, segregações de variadas escalas, e uma das consequências é o esfriamento da caridade como um valor ou seu tratamento superficial, apenas como se fosse uma obrigação e não algo vivido na intensidade necessária. Por vezes caímos em ciladas individualistas, criando pequenos grupos que excluem aqueles que não estão padronizados naquela mentalidade, defendemos medidas que provocam o agravamento de determinadas situações que causam dores ao nosso irmão, em variadas escalas, entre outras atitudes que desagradam a Deus e causam dor e revolta no próximo.

Algumas sugestões que deixo aos leitores deste texto: ore cada vez mais pelos excluídos, agradeça o que Deus tem proporcionado a você no âmbito material e espiritual, retire um tempo para refletir sobre as duras condições materiais de muitas pessoas ao longo da história (inclusive no povo do qual Jesus fazia parte), e enquanto cidadão, reflita de forma crítica sobre os causadores das mazelas e como por vezes sem querer contribuímos para que os valores individualistas prevaleçam sobre o coletivo, ligue ou mande mensagem para seu amigo que anda afastado do grupo da igreja, ou de uma roda de amigos, analise as medidas que estão sendo tomadas para a diminuição da pobreza e de outras mazelas no país e confira se elas estão de acordo com os valores cristãos de caridade.

Sabemos que não nascemos para esse mundo, nosso principal objetivo é a salvação e a vida eterna com Deus, no entanto, ser insensível à tragédia social cotidiana e fechar-se cada vez mais nas individualidades comuns a si mesmo e aos grupos em que participa, não é uma boa atitude cristã e tampouco cidadã. É necessário que a cartilha da caridade que emancipa e que erradica a pobreza esteja cada vez mais na moda, para que tenhamos um mundo socialmente justo e fraterno, eliminando mazelas e injustiças.

Deus nos deu capacidade e inteligência para sermos agentes espirituais e promotores de uma materialidade espiritualizante, sem promessas vazias de prosperidade, mas com o somatório da luta e da oração: por pessoas que sejam obedientes a Deus e seus mandamentos e lutadores sociais contra as mazelas que doem aos nossos irmãos, filhos de um mesmo Pai.

Guilherme Nascimento – Oficina de Valores

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