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Carta de um diabo

Antes de mais nada, gostaria de me apresentar. Sou Fitafuso, um integrante do Inferno, graduado na perdição, mestre nas maldades, doutor nas tentações e pós-doutor nas armadilhas. Por apresentar um currículo tão excepcional, sou professor titular encarregado em ensinar os jovens diabos a garantir a alma dos nossos pacientes, as criaturas humanas.

Diferentemente da coleção de cartas que todos podem ler no livro “Cartas de um diabo a seu aprendiz” de C.S. Lewis, hoje trago algo inovador. Em seu livro, C.S. Lewis apresenta as minhas cartas destinadas ao meu sobrinho, Vermebile, um aprendiz de demônio que recebe as minhas preciosíssimas instruções e, que por descuido, as deixa disponível para que este autor as publique. Desta vez, pretendo inovar, já que sou muitíssimo perspicaz resolvi invadir este blog e pretendo direcionar minhas instruções diretamente a vocês, humanos.

Desta forma, dirijo esta carta a todos os que a estiverem lendo: a todos os que conhecem e admiram essa tal Oficina de Valores, a todos os católicos, a todas essas criaturas humanas que nós, no Inferno, desejamos ardentemente.

Sem mais delongas, vamos direto ao ponto. Quero dar a vocês alguns conselhos. Peço que reflitam sobre cada um deles, mas principalmente, os coloquem em prática. Primeiro: sejam medíocres. Continuem pensando que o mundo não tem solução, que as pessoas não mudam e que a chance da conversão das pessoas é realmente mínima. Acreditem mesmo que os jovens estão perdidos. Pensem que vocês são minoria no meio de uma multidão de jovens que amam as bebidas, sexo, drogas, danças e músicas sensuais, loucuras, festas, prazeres… uma vida que até vocês mesmos em algum momento se questionaram que, por ser mais fácil e prazerosa, não seria uma boa opção para uma vida mais feliz.

Me alegro muito quando vocês desanimam, quando acham que se esforçar pelo bem é muito custoso e exige sacrifícios além das suas forças. Me alegro quando vocês acham que se reunir para partilhar e rezar é perda de tempo, que isso não muda nada e não resolve nenhum dos problemas atuais. Pulo de alegria quando permanecem num estado de letargia, acomodados, sem desejarem mudanças. Gosto quando reclamam para si mesmos o quanto as coisas não mudam, mas não fazem absolutamente nada para que mudem de verdade. Gosto mais ainda quando falam mal dos padres e dos religiosos(as), quando os criticam e os julgam. Aliás, o julgamento autocentrado que vocês tem, aquela pontinha de orgulho, de se acharem melhores que as outras pessoas, de acharem que por estarem na Igreja, por fazerem parte de um grupo, os torna mais dignos e merecedores… que satisfação para mim e para todos nós no Inferno. Precisamos de mais pessoas assim! Continuem acreditando que fazer o mínimo é fazer alguma coisa, que outra pessoa pode fazer a mesma coisa no seu lugar. Espere alguém pedir para você fazer alguma coisa, não tome iniciativas. Odeio iniciativas.

Me alegro quando vocês fazem tudo em cima da hora, quando são preguiçosos, quando adiam o trabalho, os estudos, as leituras, os propósitos. Em falar em propósitos, podem fazê-los, em uma lista bem grande e abstrata: amo quando prometem e não cumprem. Sejam orgulhosos, vaidosos, soberbos e prepotentes. Acreditem que podem conseguir tudo sozinhos, que humildade é sinal de fraqueza e que não precisam de ajuda para nada.

O que tenho a dizer dos tempos atuais? Que maravilha essa nova realidade de pandemia, vocês não podem se encontrar. Mas confesso que nós trememos de horror quando percebemos que vocês não pararam nestes limites, que a distância não impediu as suas obras detestáveis continuarem. Sobre a Oficina de Valores, quantas lives chatas e insuportáveis vocês têm feito (é ótimo quando a onda de reclamações sobre ficar horas no computador aumenta entre as pessoas). O Grupo de Leitura, que tem permitido tantas partilhas e leituras repugnantes. Um verdadeiro tédio! E sobre esse Blog? Prefiro não comentar. Que terrível quando alguém escreve algum texto. E pior ainda quando alguém lê e fica repleto de bondade por alguma reflexão…

Recomendo também que se mantenham no saudosismo, que prefiram o passado, que acreditem que as condições atuais nunca serão tão boas quanto já foram um dia. Além disso, tenham medo do futuro. Não ousem arriscar nenhuma novidade, nenhum compromisso novo, nada que seja muito diferente da confortável rotina. Afinal, nunca se sabe o que virá…

Enfim, acho que já desabafei o suficiente e dei os conselhos que precisava. Por ora, espero que todos continuem mal, com suas vidas desinteressantes.

Saudações, Fitafuso.

 

Juliana Peixoto – Oficina de Valores

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