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Combater no amor!

Ser Cristão é amar. Amar a Deus e ao próximo. Essa mensagem é o núcleo central da mensagem de Jesus, que resume os mandamentos em dois. Em muitas passagens bíblicas, dos evangelhos as cartas apostólicas encontramos esse imperativo do amor. Nas duas cartas de São João encontramos essa exigência “Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor (Jo 4, 7 -8)”. Em seguida diz “ Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar seu irmão, é mentiroso; porque aquele que não ama seu irmão a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Temos esse mandamento: aquele que ama a Deus, ame também a seu irmão”

Diante da crise que vivemos como sociedade, nada melhor que nos lembrar das palavras que lemos acima. Esse é um tempo propício para aqueles que tem um espirito inquieto, essa inquietude nos faz agir diante do sofrimento do outro, pois sempre que o homem é esmagado pela injustiça, o cristão não pode se conformar e nem se omitir, pois é altamente incompatível com a moral evangélica. É preciso combater no amor!

O mês de março do ano 2020 nos colocou uma situação de medo, dor e angústia. Todos estávamos sofrendo os efeitos catastróficos do novo coronavírus. Me lembro de assistir os noticiários e ver a tragédia que acontecia na China e na Itália, mas com incredulidade de que o vírus fosse chegar no Brasil com essa mesma força. Hoje, após um ano, posso constatar que muitas das dores que o COVID 19 causa, são comuns a todos homens, como perda de entes queridos e a tristeza pelo isolamento social, porém os mais pobres, além de experimentarem essas realidades comuns, são acometidos pela miséria ou pelo agravamento dela.

O Papa Francisco certa vez disse “ A regra básica é que nunca se sai igual de uma crise. Caso se passe por ela, sai-se melhor ou pior; mas nunca igual”. Os tempos normais nunca revelam a totalidade da nossa grandeza de coração, agimos formalmente, sem ao menos saber do que somos capazes. Mas diante da crise podemos escolher; a indiferença ou coragem no amor, aí seu coração é revelado.

Muitas pessoas, associações, movimentos sociais e Igrejas tiveram a coragem de romper o medo e ir ao encontro daqueles que foram pauperizados pelas consequências econômicas do COVID 19, e graças a esse movimento de saída de si mesmo, muitos não morreram de fome e esquecidos à própria sorte. A pandemia nos alertou para outro vírus que há tempos carregamos, o vírus da indiferença. Podemos aprender muito com esses que arregaçaram as mangas de suas camisas ou abriram seus bolsos. Devemos nos interrogar: Como reagir? O que podemos fazer? O que Deus me pede nesse momento? Certamente em nossas consciências essa resposta já existe!

Diante de todas as injustiças, dores e misérias que estão diante de nossos olhos, seja pelos noticiários e a realidade que constatamos nas periferias das existências, é preciso evitar o pessimismo que é um mal maior, pois ele nos leva a inação. Ou seja, a tentação que a única coisa que nos resta, é colocar essa situação nas mãos de Deus e ocupar-se somente D’Ele, pois esses assuntos nos esgotam fisicamente e psicologicamente. Mas é preciso lembrar: ninguém se ocupa de Deus senão preocupando-se com os homens. Isso nos faz lembrar a famosa frase de Santo Irineu de Leão “ A glória de Deus é o homem vivo”

De certo, as palavras de Jesus sobre justiça, ecoam em nossos ouvidos e em nossos corações, “Bem aventurados os que têm sede e fome de justiça, porque serão saciados”. Toda vez que tenho contato com essa palavra, uma série de questionamentos me vem: como ser um sinal dessa justiça? Como sair do campo das ideias e ir para pratica? Todo Cristão é chamado a ajudar a instaurar o Reino de Deus, que significa o fim de toda opressão, espiritual e humana. Porém não queremos e não podemos instaurar esse Reino a partir do ódio, ele é proibido para nós, assim como a indiferença. Se a força revolucionária do amor desaparece de nossos atos, não atuamos mais em um universo Cristão.

Gostaria de terminar esse texto com duas palavras que o Papa Francisco citou, que são descentrar e transcender. A nossa missão é abrir portas e as janelas e irmos além. Como falamos no início do texto, precisamos decidir como sair dessa crise. É necessário urgentemente sair da cultura do selfie, abandonar os individualismos econômicos, sociais e principalmente uma relação verticalizada com Deus, ela não pode ser só isso, precisa ser em vista do outro! “ O problema não está em dar de comer ao pobre, vestir o nu, acompanhar o doente, mas em considerar que o pobre, o nu, o doente, o preso, o desalojado têm a dignidade para se sentarem em nossas mesas, sentirem em casa entre nós, sentirem-se família. Esse é o sinal que o Reino de Deus está entre nós”.

 

Douglas Souza

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