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Consciência de si

Monte Carmelo (São João da Cruz)

Modo de ter o todo

Para chegar ao que tu gostas hás de ir por onde não gostas.

Para chegar ao que não sabes hás de ir por onde não sabes.

Para chegar a possuir o que não possuis hás de ir por onde não possuis.

Para chegar ao que tu não és hás de ir por onde não és.

As estradas desconhecidas, por vezes, nos geram medo, e ao mesmo tempo entusiasmo. Passar por estradas desconhecidas nem sempre é, para nós, grande desejo. Sentimos, sem dúvida, muito mais conforto em caminhar por ruas rotineiras, que de algum modo nos geram a ideia de ter controle e certeza do que encontraremos por ali. Refiro-me não somente ao espaço físico, mas também às pessoas que por lá encontrarei. No entanto, fazer sempre da mesma maneira e seguir sempre pelo mesmo caminho, apesar do movimento aparente, estamos parados e limitados.

Delinear a consciência de si, do outro e do meio é o caminho que fazemos no consultório de psicologia. E para tal, podemos pensar em três aspectos: linguagem, imaginação e contemplação.
Desenvolver a linguagem, ter domínio da linguagem são as condições para estabelecer relação do que se vê, sente e pensa. Sendo capaz de se expressar entendendo a si mesmo e também aos outros.

Um bom exemplo para entendermos o potencial do imaginário é a menina Anne de Green Gables, que fez uso da literatura para sobreviver ao caos que era sua realidade e ainda ser capaz de acreditar que existiam outras possibilidades de vida (visão do outro e do mundo). Se a minha imaginação é limitada, tenho um espaço estreito para percorrer quando preciso buscar saídas e rapidamente me desespero e me encontro sem esperanças.

Ao entorno de uma lareira, ao entardecer na casa dos avós, aquele senhor que conheceu em uma viagem, histórias que enriquecem o imaginário e amplificam nossa capacidade de perceber a nós mesmos. Quem nunca esteve diante de um desconhecido, de uma cultura diferente e só então se fez consciente de alguma característica em si mesmo, que antes nunca havia notado. O outro não somente pode ser o nosso inferno, mas também o paraíso.
Contemplar, observar, silenciar, encontrar momentos em que possamos estar sozinhos, ação que se mostra uma grande dificuldade, naqueles que são muito voltados para fora e que sentem medo de perceber em si mesmo suas limitações, preenchendo, como forma de fuga ou segurança, todo o seu tempo com estímulos externos. Observar seus pensamentos, sentimentos, circunstâncias, aceitar suas imperfeições, seus erros, suas inclinações, o torna capaz de criar estratégias para viver melhor o seu presente.

Ao longo de nossas vidas somos expostos a diversas situações, somos influenciados por nossa criação, pelo meio em que vivemos, pessoas que conhecemos, e que somados ao nosso temperamento e genética nos levam a determinados pensamentos, emoções e comportamentos. Para tornar consciente as nossas crenças e capaz de mudança, realizamos esse caminho de conhecimento de si mesmo percebendo os pensamentos que surgem automaticamente diante da minha realidade, e aprendendo a questionar a nós mesmos, duvidar, colocar a prova, e somando aos passos anteriores, ser capaz de mudar, tendo em vista a busca pelo Eu ideal. Esse Eu ideal, não como um estado fixo e parado ao qual vamos conquistar, mas um caminho a percorrer. Um movimento contínuo que provavelmente durará até o fim desta realidade. Essa certeza de nunca estarmos completos, é em parte angustiante mas também maravilhoso e cheio de sentido. Para mim essa busca diária é extremamente empolgante.

Por que caminhar por esse caminho ?

Santa Teresa D’Ávila dizia que a humildade é caminhar na verdade, a partir disso, penso que quanto mais próxima de mim mesma, da consciência de mim, das minhas limitações e capacidades, mais próxima da verdade estarei. Reconhecer os meus limites e falhas, ser capaz de aceitar que erro, que sou incompleto, que nem sempre sou capaz de agir como quero, que o mundo não está a minha disposição, me torna mais capaz de entender e compreender o outro, e também o outro quando revelado a mim, me permite conhecer ainda mais de mim. E se posso, todos os dias, ser um pouco melhor, porque escolheria viver parado e limitado?
Esse é o caminho para a remissão dos sintomas e das angústias que traçamos no consultório.

Monaliza Justino

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