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Critérios para a escolha da profissão

Meus caros, compartilho convosco que, assim como todos os jovens do meu tempo, sofri com a maravilhosa “escolha” da profissão. Logo que iniciado o meu terceiro ano do ensino médio, deparei-me de súbito com as ideias de mercado de trabalho, de exigências profissionais, decisão de futuro, e, certamente, tive inúmeros problemas interiores para compreender qual era de fato a minha vocação profissional.

         Primeiramente, sinto-me responsável por desmitificar algumas afirmações terríveis do pensamento vigente e também por dar-lhes uma definição de profissão pertinente e consagrada pela Sabedoria da Igreja. Para essa desmitificação, voltemo-nos a essa belíssima poesia de Santa Teresa do Menino Jesus.

Minha vida é um instante, um rápido segundo,

Um dia só que passa e amanhã estará ausente;

Só tenho, para amar-Te, ó meu Deus, neste mundo,

O momento presente!…

Como Te amo, Jesus! Por Ti minha alma anseia;

Sejas meu doce apoio por um dia somente.

Reina em meu coração: Teu sorriso incendeia

Agora, no presente!

                                            Meu canto de hoje, Santa Teresa de Lisieux.

         A mentalidade de trabalho competitivo e selvagem, que nos causa vários problemas, é a causa de muitos casos de depressão e ansiedade em nosso tempo. Não preciso de estatísticas para prová-lo, basta que observem a maioria dos jovens desestruturados no terceiro ano do ensino médio e o sentimento de não-pertença e dúvidas angustiantes que se manifestam numa sala de cursinho. O nosso cotidiano é tantas vezes desvalorizado… Preocupamo-nos com o que teremos amanhã, com o que não temos, com o que não somos, entretanto, Deus nos ama porque Ele é e porque existimos. O caminho que o Senhor prepara para cada um deve ser percorrido atenta e pacientemente, pois nele o Senhor opera inúmeras transformações interiores que nos permitirão viver melhor o nosso futuro. Contudo, não temos mais que este instante para amar a Deus! Se o amanhã é uma hipótese, por que perdemos a paz com algo que ainda não existe? Não há porque perder a paz por causa deste discernimento. Não nascemos prontos. Não precisamos decidir as coisas com pressa. Preocupem-se com o vosso hoje. Além disso, hoje nós refletiremos sobre o que é verdadeiramente uma profissão. Logo, considere que antes não tínheis os instrumentos necessários para discernir qual caminho seguir. Prossigamos.

         Reflitamos sobre a etimologia da palavra profissão. A palavra origina-se na língua latina, profiteor, -eris, e significa “confessar publicamente”. Ou seja, o profissional é aquele que declara publicamente algo. Entretanto, o que é declarado por um profissional é uma característica intrínseca ao sujeito, pensada por Deus no íntimo da Trindade, estimulada e exercida no tempo e no cotidiano, algo que marca a sua existência, algo que norteia e dá sentido à vida. O profissional professa uma vocação e uma missão. Pensa-se o trabalho como vocação e missão, pois as aptidões de cada sujeito, os talentos, são dados por Deus a cada um para que sejamos e façamos o bem. Não importa se a profissão exercida é braçal, técnica ou intelectual. Todas elas têm por finalidade um bem ao outro, todas elas têm seu lugar na realidade e nos dilemas da vida humana e, claro, todas elas manifestam a beleza do Criador ao fazer cada um de nós pessoa.

         Mas, afinal, quais são os critérios para discernir minha vocação profissional? – deveis estar questionando. Antes de tudo, e fundamentalmente, o primeiro passo é a oração. “Fala Jesus: “Digo-vos, pois: Pedi e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á”. Faz oração. Em que negócio humano te podem dar mais garantias de êxito?”, aconselha-nos São Josemaría Escrivá. E não há verdadeira oração sem o conhecimento de si. “Aconteceu-me de, entrando um dia no oratório, ver uma imagem guardada ali para certa festa a ser celebrada no mosteiro. Era um Cristo com grandes chagas que inspirava tamanha devoção que eu, de vê-Lo, fiquei perturbada, visto que ela representava bem o que Ele passou por nós. Foi tão grande o meu sentimento por ter sido tão mal-agradecida àquelas chagas que o meu coração quase se partiu; lancei-me a seus pés, derramando muitas lágrimas e suplicando-lhe que me fortalecesse de uma vez para que eu não O ofendesse.” – testemunha a nós, Santa Teresa de Jesus.

Transformados então pela graça e purificados para que vejamos com clareza, conseguimos encontrar o chamado de Deus nas nossas aptidões naturais e naquilo que necessitamos desenvolver. Entretanto, aquilo que mais importante considero para o discernimento da profissão é: como desejais ser luz do mundo? Quais oportunidades concretas Deus envia a vós? Aquilo que não nos é possível, que está além da nossa realidade- o que é diferente de algo a ser alcançado enfrentando duras dificuldades- certamente não é a vontade de Deus. Então, meus caros, o que inflama árdua e calmamente os vossos corações? Qual luta imaginada ou experimentada lhes traz paz e mantém acesa a brasa inesgotável da vontade? Este é o caminho. Não consigo deixar de pensar um grandiosíssimo monge, A. D. Sertillanges, que ao orientar os vocacionados à vida intelectual afirma que “falar de vocação é referir-se àqueles que pretendem fazer do trabalho intelectual sua vida.” Vós realmente pretendeis fazer desse ardente, gratificante e doloroso movimento de quietude a vossa vida? Se sim, achastes sua profissão. Não quero com este texto que consigais maneiras de ganhar dinheiro. Podeis ganhar dinheiro por meio de belíssimos serviços, mas a profissão, a vocação, é um dos caminhos pessoais de transformação do mundo por meio do Espírito Santo.

 

Daniel Saldanha – Oficina de Valores

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