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Diário do Natal

Nas primeiras horas desta madrugada, Jesus veio ao mundo. Como mãe, não tenho palavras para expressar o que senti. Assim que Ele nasceu, olhei para o seu rostinho e uma grande emoção tomou conta de mim: chorei e agradeci a bondade do Senhor.

Recordei-me de todas as situações que passamos até que esse momento se concretizasse. A visita do Anjo, meses atrás, informando que eu fui a escolhida para ser a mãe do esperado Messias me encheu de temor. Não foi medo de Deus, mas um sentimento de humildade, pois bem sei que existiam milhares de jovens que poderiam ser escolhidas ao invés de mim. Mas minha fé e confiança no projeto de Deus foram maiores que qualquer dúvida ou medo, por isso eu disse “sim, faça-se em mim segundo a vontade do Todo-Poderoso” e assim foi feito. Rendo graças ao Deus da minha vida que quis se utilizar da minha pequenez para uma missão tão grande.

Depois que o Anjo se retirou, levei ainda algum tempo para decidir contar o que ocorrera para José, a quem eu estava prometida em casamento. Meu receio era ofendê-lo. Desse modo, guardei em silêncio a graça que a humanidade recebeu por meu intermédio, pensando nas consequências que meu sim acarretaria, mas com o coração tranquilo em Deus. Nas minhas orações, pedia ao Senhor que enviasse uma mensagem profética a José e Ele assim o fez. Quando revelei que eu estava grávida, José se retirou da minha presença, sem nada dizer. Pouco tempo depois retornou, afirmando que acreditava em tudo, pois um Anjo, também da parte de Deus, o visitou em sonho, pedindo para ele ser o guardião do Menino Santo e que não temesse sobre sua missão. José é uma pessoa simples, é muito justo e está sempre atento às necessidades das pessoas que o cercam. O apoio dele foi fundamental! Sei que nossa aproximação e amor foram ações de Deus.

Ainda sem entender bem o que estava se passando, por vezes colocava a mão em meu ventre e pensava em como seria o Menino que esperava, como seria sua vida, qual seria seu destino; pensava sobre sua educação e em ensiná-lo sobre nossa fé. Lembro-me de dar início à manta que agora o envolve e de que José conseguiu uma boa quantidade de lã para que eu a tecesse. Ele também se esforçou muito com seus trabalhos para termos como organizar o enxoval do bebê.

Um momento muito marcante foi a visita à Isabel. Estava ansiosa por abraçá-la e poder ajudá-la em suas necessidades. Recordo-me de que assim que entrei em sua casa, tive a convicção plena de que vivíamos em um tempo de graça. Talvez todas as palavras do mundo sejam insuficientes para relatar uma experiência de Deus em nossa vida, e foi justamente isso que aconteceu. Nós duas nos abraçamos e nos emocionamos. A princípio nenhuma palavra foi pronunciada, simplesmente nos olhávamos, uma reconhecendo na outra o poder da misericórdia de Deus. Eu toquei o ventre de Isabel e ela tocou o meu em adoração. Jamais me esquecerei de suas palavras: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas! (Lucas 1,42-45). Eu então cantei a alegria em reconhecer que Deus estendeu a mão em nosso favor, glorificando o Senhor. Não foi apenas uma saudação, reconheço que naquele momento era selada uma profecia, a humanidade nunca mais seria a mesma. Não por mim, não por ela, mas graças ao Ser que dignou nascer de minhas entranhas.

Por diversas vezes durante a gestação conversei com Jesus, compreendendo, a cada dia, o significado do amor de mãe. Mesmo sem vê-Lo, já O amava e aguardava com todo carinho. Que emoção foi senti-Lo mexer pela primeira vez! Chamei José, que ficou tão emocionado e alegre quanto eu nesse momento. Mesmo tendo alguns dias mais incômodos, com enjoos, cansaço, insônia, vivi cada momento com a alegria da espera em Deus, rendendo graças a Ele por esta dádiva, este presente. Ficava imaginando o coração de Jesus, o coração do Salvador, tão perto do meu coração.

Um dia aconteceu uma coisa engraçada: senti muita vontade de comer romã. José então largou um pouco dos seus afazeres e foi procurar romã para mim. Ele chegou com uma cesta cheia, nos sentamos e nos deliciamos juntos. Por mais que eu já tenha dito, eu não posso deixar de louvar a Deus pela presença compreensiva e amiga de José do meu lado. Ele cuidou e cuida de mim com um carinho todo especial. O fato de ele ter me aceito foi uma verdadeira demonstração de que o Senhor conduz nossa história.

Com o passar dos meses, minha barriga ia crescendo e a presença de Jesus ficava mais notável. Meu coração exultava e em oração eu não me cansava de louvar ao Deus Altíssimo, que com seu Espírito me fecundou. A oração foi o que me ajudou a vencer a ansiedade de querer ter logo meu Filho nos braços. Ansiedade que aumentou quando ficamos sabendo que teríamos que nos deslocar para nossa cidade natal, Belém, para fazer o recenseamento. Eu estava com pouco mais de 8 meses quando iniciamos a viagem de Nazaré para Belém, uma distância de mais ou menos 150km.

A viagem foi penosa, mas tivemos muita ajuda no caminho. Em alguns momentos conseguimos hospedagem, em outros precisamos descansar em acampamento. No caminho, comecei a sentir algumas contrações, nada que nos tirasse do planejado, mas isso tornou a nossa caminhada mais lenta.

Quando chegamos a Belém, cumprimos logo nossa obrigação e fomos procurar um lugar para nos hospedar. Acontece que a cidade estava muito cheia e não encontramos nenhum local pra ficarmos. Tivemos que nos abrigar em um estábulo, um pouco mais distante do perímetro da cidade.

Passado algum tempo, senti que a hora do nascimento de Jesus se aproximava. As contrações ficaram mais fortes e minha bolsa estourou. Foi uma mistura de sentimentos, algo que não consigo explicar, porém o que eu sentia mais forte era uma grande força, uma coragem. Eu havia esquecido a dificuldade da viagem, a precariedade do lugar em que estávamos, todos os sofrimentos… A única coisa naquele momento que importava era a alegria de saber que em poucas horas a promessa de Deus estaria em meus braços. José esteve todo o tempo comigo, segurando minha mão.

Jesus é uma criança linda. Não consigo tirar os olhos Dele, nem parar de agradecer a Deus pelas maravilhas que Ele fez em mim. Com muita alegria, disse: “Jesus, você foi o melhor presente que eu poderia ganhar. Estarei sempre ao seu lado, em todas as circunstâncias”. José, todo emocionado, enrolou no Menino o manto que eu havia feito e deitou-o em meu colo. Eu tinha vontade de gritar ao mundo a alegria que me envolvia. Depois de um tempo, José transformou a manjedoura em um tipo de bercinho e ali reclinamos o Menino, que dormia enquanto o vigiávamos. Os animais se aproximaram e pareciam festejar conosco. Noite santa, noite bela. A palavra de Deus se fez carne. O Emanuel habita entre nós!

 

Vitória Lopes – Oficina de Valores

 

Adaptado do Livro 9 Meses com Maria, Padre Luís Erlin, Editora Ave Maria.

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