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Experiências do deserto

Estar rodeado de amigos, familiares, namorada é sempre muito bom. Aprendemos desde a infância que é de extrema importância nos socializarmos e ter com quem contar, e hoje em dia ficou ainda mais fácil fazer isso com a ajuda da internet através das redes sociais. Ter aquela pessoa ou um grupo de amigos para falar sobre as coisas da vida, sobre o trabalho, sobre aquela série que você tem assistido e achou muito maneira, zoar o time do seu amigo que tomou uma goleada pro seu e muito mais. De fato, tudo isso é muito bom, faz a vida criar cor e ficar mais leve. Mas e quando todos esses nossos amigos – familiares, namorada – se vão? Quando eles já não podem mais estar tão presentes como antes, seja por qualquer motivo (uma amizade ou namoro que acabou, ou a terrível morte de um ente querido), como nos portamos diante dessa situação? Normalmente, quando sofremos essas perdas, começamos a nos ver um pouco desolados, sem muitas expectativas e até algumas vezes sem chão. Nos vemos completamente sozinhos, vivendo um verdadeiro deserto! Porém, existe muita coisa boa em viver esse período que algumas pessoas não desejam nunca viver, coisas que só a solidão/deserto pode ensinar.

Ao olhar a situação do deserto em si, todas as pessoas tendem a ter uma certa aversão a ela.  É normal não querermos viver esse período, ainda mais a minha geração que é tão conectada. É completamente entendível essa aversão. Porém, uma coisa eu digo para você, querido leitor: Uma hora você terá que enfrentar o deserto! Não adianta querer fugir. Você pode até dar algum jeito de adiar essa batalha, mas nunca conseguirá se ver livre dela – pois viver a solidão também faz parte da vida humana. Assim como é certo que teremos momentos de união, também é certo que uma hora ou outra teremos a sensação de estarmos sós. Mas calma, apesar de você saber que irá passar por esse período algum dia, isso não significa que não exista uma luz no fim do túnel, mas ao contrário, ela mesma pode ser essa luz no fim desse túnel!

“Vinícius, como assim o deserto pode ser a luz no fim do túnel?  Você tá ficando doido?”

Ainda não, amigo leitor. O que eu quero dizer quando digo que a vivência do deserto é a luz no fim do túnel para ele próprio é que tudo depende de como você irá vive-lo! Acredite, você pode fazer desse tempo um grande tempo de amadurecimento!  Então, a seguir, como bom amigo que sou, lhe darei algumas dicas para você melhor enfrentar esse período “tenebroso”.

Antes de tudo vale ressaltar que aproveitar o deserto não é uma tarefa fácil, ainda mais quando nunca o enfrentamos antes; a nossa própria companhia – quando não trabalhada – às vezes pode ser “nociva” para nós mesmos, até mesmo ensurdecedora. E é aí que encontramos o nosso primeiro ponto que precisa ser abordado, a minha primeira dica: Precisamos usar do deserto para nos conhecermos melhor! Uma pessoa que não se conhece não conhece coisa alguma. Não sabe de verdade do que gosta ou do que não gosta; não sabe o que quer pra sua vida e por aí vai. Uma pessoa que não se conhece pode machucar os outros com o seu jeito que precisa ser mudado, e ela não sabe que precisa mudar porque nunca se encarou de verdade. Simplesmente não se conhece. Essa é uma das partes mais difíceis, pois quando olhamos para dentro de nós mesmos, descobrimos coisas que nem imaginávamos existir, e precisamos aprender a lidar com elas (mais pra frente, você descobrirá que existe Algo que lhe ajudará a lidar com essas descobertas).

Após olharmos para nós mesmos e nos descobrirmos; vontades, fraquezas, o que queremos pra nossa vida, etc., estaremos prontos para aproveitar mais uma dica: é hora de aprender a ser feliz consigo mesmo! E ser feliz desse jeito não é estar feliz porque conseguiu apresentar um trabalho na faculdade ou um projeto no trabalho e isso te rendeu um elogio. Ser feliz consigo mesmo é aproveitar da sua própria companhia, de aceitar estar só e não ficar chateado por isso, é aproveitar da melhor maneira possível esse momento de solidão. Uma pessoa que é feliz com ela mesma consegue ser verdadeiramente feliz quando está com outras pessoas, pois não precisará mais cobrar por aquela presença que te fazia ficar bem, pois éramos carentes demais pra sermos felizes sozinhos. Agora quando nos encontrarmos com nossos amigos a alegria será ainda maior, pois eu não estarei apenas usufruindo da alegria dos outros, mas estarei trazendo a minha alegria de casa! Aprender a gostar da nossa companhia é uma grande lição a se fazer quando estamos vivendo no deserto, e podemos fazer várias coisas pra nos aproveitar de nós mesmos: podemos ler livros, jogar um vídeo game, ver um filme, pedir a nossa comida favorita no Ifood, contemplar uma obra de arte ou uma vista, aprender a tocar um instrumento musical, as opções são inúmeras. Se mime (não muito! 😉 ) e curta um momento consigo mesmo.

E a última e mais importante de todas as dicas: Dê sentido ao seu deserto, a sua solidão, ao seu sofrimento. Se conhecer e ser feliz consigo mesmo é ótimo, são passos gigantescos. Porém, sentido real só encontramos quando colocamos Cristo na frente de tudo isso. É necessário O tomarmos como exemplo, como quando Ele passou os 40 dias no deserto (Mt 4, 1) e deu sentido a sua solidão (crescer em intimidade com o Pai e se preparar para a sua vida pública), para passarmos com sentido o nosso deserto também, entregando tudo nas mãos de Deus. Cristo é quem nos ampara, Ele é aquele “Algo” que eu disse mais acima que nos ajuda a lidar com as nossas descobertas, Ele é aquele que torna o nosso deserto em um lugar repleto de Graça. Ele quem faz o nosso deserto deixar de ser deserto, na realidade, ele nunca foi e nunca será um completo deserto, pois Deus nos prometeu que estaria sempre junto de nós: “Não te ordenei: Sê firme e corajoso? Não temas e não te apavores, porque Iahweh teu Deus está contigo por onde quer que andes.” (Js 1, 9)

Caro leitor, a experiência do deserto nunca foi apenas um sinônimo de ser uma pessoa só, de não ter com quem conversar ou de se sentir deslocado em algum lugar; a experiência do deserto é a maior oportunidade que Deus nos dá de melhorar aquilo que precisa ser mudado em nós, de aprendermos a nos amar, de olhar para os nossos corações e nos conhecermos verdadeiramente. Mais ainda: é uma oportunidade gigantesca de se colocar nos braços do Pai e caminhar junto Dele e para Ele. Superficialmente pode parecer até um castigo de Deus, mas é um grande presente, um presente que a princípio é um tanto quanto enigmático, mas que devemos aprender a lidar com ele de forma corajosa. E lembre-se: Você não está só. Ele é contigo!

“Vinde a mim todos que estais cansados sob o peso do vosso fardo e vos dareis descanso. Tomai sobre vós o meu julgo e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas, pois meu julgo é suave e meu fardo é leve.” (Mt 11, 28-30)

Vinicius Simas

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