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Jesus, consolo para os que choram

“Chorou, mas estava invisível, e ninguém percebeu o choro”. Essa é uma frase de um dos meus autores brasileiros preferidos, o Graciliano Ramos. Acredito que com essa simples frase, Graciliano consegue fazer qualquer leitor se identificar com o personagem observado. Não por ser um escritor virtuoso (isso não vem ao caso), mas por descrever uma sensação pela qual todo ser humano já passou.

Chorar. Essa é uma ação interessante. É tão comum quanto comer e dormir, mas não tem a necessidade biológica que essas outras apresentam. Não posso dizer, porém, que não é algo necessário. Muitas vezes, na verdade, parece ser a nossa única opção. Comemos porque sentimos fome, dormimos porque estamos cansados. Por quais motivos choramos? Dor, tristeza, arrependimento, desesperança, raiva, medo. Sentimentos que se materializam em gotas e escorrem pelo nosso rosto, mas que mesmo caindo sobre lenços, túmulos, livros, retratos, travesseiros ou até mesmo no chão, não nos deixam, mas continuam presentes em nós.

Caro leitor, consegue se lembrar de alguma vez em que você chorou? Já faz muito tempo? O que fez você chorar? Acredito que responder a essas perguntas não seja algo muito difícil, visto que nossas vidas são sequências de momentos felizes e momentos não tão felizes, como não nos deixa esquecer o capítulo 3 do Livro do Eclesiastes: “tudo tem seu tempo[…]. Há tempo de chorar e tempo de sorrir”.

Dando continuidade às nossas reflexões sobre as bem-aventuranças, você já deve ter percebido que este texto se refere à segunda delas, na sequência presente no Evangelho de São Mateus: “bem-aventurados os que choram”. Em outras traduções encontramos ainda essa bem-aventurança escrita de outra maneira: “bem-aventurados os aflitos”.

Não é surpresa ou, pelo menos, não deveria ser, de que teríamos aflições nessa vida. Afinal, Jesus mesmo nos alertou sobre isso de maneira bem clara: “No mundo tereis aflições.” (Jo 16, 33). Além do aviso de Jesus, o Evangelho nos deixa ainda com o episódio admirável da morte de Lázaro que fez com que nosso Deus feito homem derramasse lágrimas. Recordando esse acontecimento e tendo em mente que “o servo não é maior do que o seu senhor”, como pensar que nossa vida seria isenta de pranto?

Como você bem sabe, porém, no Sermão da Montanha, Jesus não diz simplesmente quem são os bem-aventurados. Ele sempre acrescenta uma justificativa, uma promessa que explica porque os pequenos, humildes e justos podem ser considerados tão afortunados. No caso da segunda bem-aventurança, a promessa que Jesus afirma é: “bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”. A recompensa, portanto, para os que estão aflitos é a consolação.

De fato, consolo e aflição são antônimos, podendo um ser visto como a solução para o outro. Para alguém que está aflito, porém, encontrar tal consolo pode parecer impossível, como se não houvesse em nenhum lugar desse mundo o alívio para as suas dores. De que consolo, então, Jesus se refere? Para responder essa pergunta, gostaria de recorrer a uma pessoa descrita pelo Evangelho de São Lucas como um homem justo e piedoso: Simeão. Entre poucos detalhes sobre Simeão, encontramos que ele esperava a consolação de Israel e que, por uma revelação do Espírito Santo, ele não morreria sem antes ver o Enviado do Senhor. Assim que Simeão segura em seus braços o menino Jesus, louva a Deus compreendendo que havia encontrado o que esperava. Com esses fatos, percebemos que o verdadeiro consolo vem daquele que São Paulo chama de “Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação”, acrescentando ainda que “Ele nos consola em todas as nossas aflições […]. Pois, à medida que os sofrimentos de Cristo crescem para nós, cresce também a nossa consolação por Cristo” (2 Cor 1, 5).

O consolo que Jesus promete, portanto, é muito mais que uma suavização momentânea das nossas aflições. É, na verdade, o verdadeiro consolo que tanto procuramos. O consolo que, nas palavras de São Tomás de Aquino, “só Deus satisfaz”, uma vez que Ele é o criador, o provedor e a origem de toda a consolação.

Voltando à afirmação de Jesus que citei anteriormente: “No mundo tereis aflições”, aqueles que conhecem as Escrituras sabem que esse versículo não termina assim. Depois de dizer que, durante a nossa estadia nesse mundo, passaríamos por momentos ruins, Ele acrescenta: “Mas tende coragem! Eu venci o mundo”. O fato é que, apesar de todos os momentos ruins pelos quais passamos e por aqueles que ainda vamos enfrentar, a promessa feita na segunda bem-aventurança é suficiente para não desanimarmos.

Santa Teresa d’Ávila uma vez fez a seguinte comparação: “A vida é uma noite ruim em uma pousada ruim”. A noite pode parecer longa e a aflição, eterna.  Mas tendo em mente que o retorno para casa não vai demorar, é possível aguentar o que for preciso. Assim também nós devemos pensar, sempre nos lembrando das palavras de Nosso Senhor: “Também vós agora sentis tristeza. Mas eu vos verei novamente, e o vosso coração se alegrará, e ninguém poderá tirar a vossa alegria” (Jo 16,22).

Finalizo desejando que cada gota que há escorrer pelo seu rosto te lembre das gotas de consolação derramadas por Jesus durante a paixão. E, independente de como tenha sido a sua noite nessa pousada, quando voltar para casa “Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou” (Ap 21, 4).

 

 

Viviane Peixoto

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