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Mega construções não se fazem da noite para o dia

Foto da construção do viaduto de Millau

Nos tempos atuais, a fé deixou de vir de berço, já não é tão fácil os filhos seguirem a fé de seus pais ou avós. Comigo foi um pouco assim, fui colocada na catequese da Igreja Católica bem nova, com apenas 8 anos, e, devido à mudança de localidade, fiz a primeira comunhão com meus 11 anos; Após a mesma, só comparecia a igreja para casamentos e batizados, as missas foram deixadas de lado como tudo o que eu havia aprendido.

Escuto muitos amigos partilharem da mesma experiência e com o tempo a Igreja e a fé já não faziam sentido algum, afinal “eu até fiz a primeira comunhão, mas fui levada pelos meus pais”. É assim que muitos de nós abandonamos a fé sem mesmo saboreá-la; mas não para por aí, logo após a isso, começam a surgir os preconceitos com a fé, com a Igreja, com os padres, e com a religião, seja ela qual for, podendo acontecer duas situações: Primeiramente, ficarmos indiferentes a fé, mas acreditarmos em Deus; Ou em segundo caso, chegarmos a negação total da fé e do próprio Deus.

Após anos afastada da Igreja, fui convidada por uma amiga, Patricia, a participar de um encontro de Jovens, o JoAM, quando eu tinha já meus 16 anos. Durante o encontro minha indiferença com a fé foi quebrada, vivi uma experiência forte. Eu ainda não compreendia totalmente, pois mesmo com a catequese, era uma fé desconhecida, porém acessível. Foi difícil, inicialmente, crescer, mas mesmo com a pouca idade eu nunca mais fui capaz de viver sem tentar entender e buscar o que havia sido despertado naqueles dias. Naquele momento, a dificuldade era romper com a indiferença, a superficialidade, e a ignorância.

Estamos desde cedo habituados a conquistas rápidas, a resultados imediatos, e com o passar do tempo isso é intensificado. Queremos uma felicidade instantânea e por isso viver a fé se torna penoso e laborioso. Será que não queremos viver a fé porque não a reconhecemos como boa, ou porque nos custa muito e não estamos dispostos? Ambas as situações me entristecem, mas a segunda me incomoda.

Há muitos que temem a fé porque ela é luz que nos mostra os becos escuros nos quais nos metemos e os lugares sombrios em que nos escondemos de nós mesmos. A fé nos leva ao conhecimento próprio, é revelação, e nem todos estão prontos para lidar consigo mesmos. Eu precisei ter paciência para entender, para mudar, para obter resultados através da minha fé, e precisei de coragem para olhar para mim mesma.

Olhar com os olhos da fé é algo maravilhoso, mas que a primeira vista dá medo. Pense hoje em você tendo que reconhecer alguns defeitos em si mesmo, perdoar aquele que te traiu, tendo que louvar e agradecer a Deus mesmo no sofrimento, tendo que renunciar às orgias, aos prazeres mesquinhos, tendo que cumprir deveres para com Deus, tendo que respeitar a Igreja, tendo que lutar contra os seus defeitos, tendo que mudar! Assusta! Mas com o tempo você descobre que seu coração está em paz, que você não está sozinho, que tem dignidade, que é amigo de Deus, que construiu uma vida boa, que se tornou alguém conhecedor de si mesmo. Isso faz sentido, isso garante a felicidade…

Uma pessoa que vive a sua fé e nela encontra sentido pode afirmar que a experiência realizada foi a melhor de sua vida. Há uma beleza que não pode ser negada. Quem ainda não conheceu a fé, vive descontruindo sua própria cultura, natureza e fim. Vive sem paz, tampando espaços com bens materiais, dependência química, dependência afetiva, trabalho excessivo, coisas que no fim do dia apenas nos sobrecarregam, e por isso não realizam. Os espaços precisam ser ocupados por Deus e a experiência com Ele. Faça uma tentativa, mas se for difícil não desanime, são apenas os maus hábitos tentando ganhar espaço, se você se posicionar eles serão superados.

Podemos ficar tanto no ataque como na defesa e dizer que Deus não nos aceita. Deus não tem nenhum preconceito em relação a você, pelo contrário, Ele te quer da maneira que você está, mas também quer realizar mudanças em você – não porque não te aceita, mas porque conhece os limites da sua condição humana e o quer ver realizado.

Pensando em algo que possa expressar a riqueza da fé, só posso dizer que ela vale a pena! Vale a pena dar uma chance a si próprio de experimentá-la, de questioná-la, de conhecê-la, e de quebrar os preconceitos que nos privam dela.

Já faz 8 anos desde o encontro que eu mencionei acima. Hoje, ainda preciso lutar contra alguns maus hábitos que tentam voltar. Eu não sei quais são as suas lutas, mas eu estou convencida de que através da fé encontrei o sentido da vida. Olhando para o passado, chego a agradecer, porque eu consigo ver a mudança na minha vida, na minha família.

Faz 8 anos que eu comecei a chamar o meu pai de pai e que nos respeitamos. Meus amigos sabem que não foi algo instantâneo, mas aconteceu pelo fato de eu me abrir a fé, e tantas outras coisas têm mudado na minha vida. Então, é isso, a fé é um processo de aceitação e mudança que vale a pena!

E, se por um lado a fé já não vem de berço, ela vem pela conversão para todos que se abrem a experimentá-la… E essa tal conversão é a responsável pela existência da Igreja ainda hoje, pelo fato de a fé não estar morta; por ela é viva e move seus fiéis à coisas grandiosas, maiores que eles mesmos. Tudo aqui se trata dela. Quando ela veio, meus olhos se abriram…

 
Juliana Correia
Pedagoga e pós graduanda em ciências da religião – Oficina de Valores
 

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