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Naruto: uma trajetória de perseverança

Você que faz parte das gerações X e Y deve ter gravado em sua memória um dos grandes booms em nossa cultura pop: a solidificação tanto de mangás como animes japoneses no gosto do brasileiro. Como não lembrar, por exemplo, dos grandes clássicos como Dragon Ball, Pokémon, Cavaleiros do Zodíaco, Yu Yu Hakusho, Samurai X, dentre outros muitos que emplacaram na leitura e no horário nobre da TV. Em meio a estas grandes referências, de forma bem sorrateira, incialmente no Japão e anos depois no Brasil, surge um mangá chamado Naruto, uma série escrita e ilustrada por Masashi Kishimoto, sendo o piloto publicado em 1997 e depois em 1999 os demais mangás da saga. Foi só em 2002, já não mais nas gerações X e Y, mas na Z, que surge seu anime. Por muito tempo Naruto foi subestimado devido a estar nas sombras destes grandes clássicos, mas aos poucos ele ganha seu destaque tanto nas telinhas como no roteiro de leitura.

É interessante notar que todos os animes e mangás citados acima (inclusive o Naruto) têm um grande herói ou grandes heróis, que com seus grandes poderes, ações e ensinamentos motivam a cada espectador a se entregar inteiramente aos fascínios de toda a trama. Além disso, se prestarmos atenção perceberemos que todos eles, de algum modo, têm presente a virtude da perseverança. Apesar disso, os objetivos e motivos para cada um perseverar em seus desafios são totalmente diferentes. Por exemplo, o personagem Goku tem como objetivo perseverar para se tornar o mais forte do Universo; já Seiya de Pegasus, um dos principais Cavaleiros de Atenas, vive a todo instante a perseverança para defender a própria deusa. Mas, e o personagem Naruto, como ele pode ser esse ícone de herói que carrega essa grande virtude chamada perseverança?

Uzumaki Naruto, é um jovem ninja órfão, que perdeu seus pais após protegerem toda a vila selando a raposa de nove caldas, a Kyuubi, nele próprio, se sacrificando para tal ação. Sendo assim, sua vida foi marcada por muito tempo por não saber quem eram seus pais ou o porquê tinham selado nele a raposa. Além disso, por consequência, havia uma solidão familiar, pois não tendo nenhum parente para conviver em sua casa, desde criança morava sozinho. Esta experiência poderia provocar uma rebeldia sem controle e totalmente intensa contra a vila, mas a partir das orientações de seus mentores, como Iruka, Kakashi e Jiraya, cria-se uma formação nele de uma perseverança em acreditar na sua vida e na sua relação com o outro, criando laços que não tinha antes pela falta de sua família, com aqueles de sua convivência que tinha mais afeto e admiração.

Um ponto intrigante em Naruto é que todos da vila sabiam que a raposa de nove caudas estava selada nele e, com isso, grande parte das pessoas o excluíam do meio social. Apesar de grande tristeza em nosso personagem, isso nunca fez com ele deixasse de perseverar e acreditar que um dia poderia ser aceito, mesmo que quando criança, por um tempo, ainda não soubesse como agir diante dessa rejeição. No decorrer da trama, consegue conquistar as pessoas ao seu redor, mostrando que não era a besta que havia dentro dele que definia quem ele era. De certa forma, Naruto sempre se revelou um dos personagens de anime com mais caráter.

A sua perseverança consistia também em saber lidar com suas deficiências. No aprendizado de técnicas e conhecimentos ninja foi, por um grande tempo na academia, um dos piores alunos, sendo chacota de muitos. Mas, mesmo assim, isso nunca o levou a desistir de ser um grande ninja e de aprender as técnicas necessárias para viver além da expectativa de um ninja comum.

A questão que o motivava a se esforçar para ser aceito pelas pessoas e ser um grande ninja estava no seu sonho e meta que era se tornar Hokage, o grande líder da Vila da Folha. Mesmo que para muitos isso soe apenas como uma idealidade de Naruto que ele nunca iria alcançar, para ele era sua âncora saber que mesmo com todas as dificuldades que lhe apareciam, sempre jogava sua corda para o objetivo-âncora de sua vida que era ser Hokage.

Porém, o processo de Naruto para entender e perseverar em seu notável sonho, sai de algo meramente imaturo de ser um líder cheio de honras e de grande destaque, para a compreensão do grande espírito do Hokage, que era de manter acesso o que era chamado na Vila da Folha de “vontade do fogo”. Nesta vontade, todos os esforços da vila, batalhas feitas, suas conquistas, proteção e cuidado, seriam não somente para a geração atual mas também a futura. Naruto em dado momento entende que seu perseverar não é meramente para uns ou outros colherem o fruto, mas para toda a futura geração. Ser um bom Hokage é trazer grandes presentes para os que virão.

Dentro de todos esses objetivos de perseverança em Naruto, há um que chega a ser ainda mais marcante, e que, comparando com os outros grandes heróis, nosso ninja da Folha traz um grande ensinamento. Naruto apesar de desde sempre ter um gênio difícil, ser espalhafatoso e atrapalhado, às vezes até rude, ele sempre acreditou nas pessoas, ou poderíamos dizer, ele sempre perseverou em cada um que encontrava em seu caminho. A insistência mais marcante em pessoas é em seu companheiro de time, Sasuke. Mesmo seu colega abandonando a vila, Naruto sempre acreditou no Uchiha, mesmo que tivesse que insistir muito para sua volta e seu arrependimento. Isso não quer dizer que ele esquecia ou deixava à parte todas as coisas que Sasuke fez, mas sabia que tudo isso não definia a personalidade e a pessoa que era seu companheiro. Naruto seguiu retamente a frase de seu sensei Kakashi: “No mundo ninja, quem quebra as regras é lixo, é verdade, mas quem abandona seus amigos é pior que lixo.”

No contexto de todas essas ações de perseverança deste ícone dos animes, o que podemos aprender?

Primeiramente é saber que nunca estamos sozinhos, que devemos perseverar não na nossa solidão, que muitas vezes pode nos levar a revoltas e tristezas profundas, mas na companhia daqueles que querem o nosso bem, mesmo que, por muitas vezes, não consigamos ou não tenhamos maturidade para acreditar.

Em seguida, ter a consciência de que apesar de termos as “feras interiores”, como nossas angústias e indefinições profundas, elas não nos definem. O que devemos fazer, na verdade, para sabermos lidar com todos estes dilemas é perseverar na construção do nosso caráter de modo sólido e conciso, e isso não fique somente aparente para nós mesmos, mas para todos que convivem conosco.

Acreditar em si também, é um importante fator, pois apesar de todos os defeitos e dificuldades pessoais que temos, estes também não nos definem, e devemos buscar formas de superá-los ou ao menos aprender a conviver com eles por um tempo, até chegar o momento de não mais os vivenciarmos. Em outras palavras, constatar que sempre erraremos, mas não se acomodar com tal situação, mas aprender com cada tropeço para ser melhor.

Para instigar este trajeto árduo, temos que ter igualmente grandes objetivos para serem a nossa luz no fim do túnel, o motor que faça nossa vida ter movimento, as marcas importantes no mapa da nossa existência. Neste aspecto, é termos uma vida com um sentido e ideal grandioso para guiar os nossos pequenos objetivos.

A realização conjuntamente de tais feitos acima, nos leva à necessidade de aprender a acreditar nos outros, não de modo cego ou ingênuo, mas de modo puro e reto, nos preocupando verdadeiramente com o outro, sabendo que ele é uma peça importante para o meu crescimento e eu para o dele. Mas tendo ciência que também será um processo doloroso pois estamos lidando com alguém que, como nós, não tem só qualidades, mas também defeitos e que pode pensar e olhar a vida diferente de nós.

Esta ação de acreditar nos outros nos leva a não só pensar no presente, mas também naqueles que virão. O mundo que tento construir agora com o outro, pode não ser só benéfico para a contemporaneidade, mas também para as futuras gerações que podem ser diversas como seus filhos, irmãos, alunos, membros de grupos sociais e até mesmo aqueles que nunca conheceremos.

Em visto disso, podemos entender que o grande poder de Uzumaki Naruto é o do convencimento. O convencimento de perseverar em si mesmo, no outro e naqueles que virão. Mesmo com todas as conquistas e grandes poderes adquiridos na nossa vida, tudo isso só faz sentido se acreditarmos no bem maior do eu, do nós e do eles, porque isso é o nosso “jeito ninja de ser”.

 

Ângelo Rodrigues   

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