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Ninguém te condenou

Você já teve que perdoar uma mesma pessoa por um mesmo vacilo por vezes a fio? Alguma pessoa já te deixou no vácuo trezentas vezes, mesmo você deixando bem claro que ODEIA isso? E você já foi essa pessoa que comete os mesmos deslizes repetidamente toda hora sem cessar?

Acho que já está claro que falaremos de perdão aqui. Mas antes disso, vamos dar uma olhadinha em algo que pode ser o contrário do perdão – a condenação.

Nem preciso dizer que o mundo hoje parece uma máquina geradora de opiniões críticas sem caridade, julgamentos sem justiça que levam à condenações sem piedade. Uma condenação propriamente dita é uma sentença irreversível dada por alguém que se arrogou o direito e o poder de definir algo sobre a vida de outro. E a gente não tem a menor ideia de quão grande é esse poder, e mais importante, como ninguém aqui tem capacidade, mérito, experiência ou base pra postular algo sobre uma outra pessoa.

Claro que estou falando de coisas graves e contextos abrangentes – no caso específico da relação entre pais e filhos, por exemplo, é dever dos pais zelar e vigiar as ações dos filhos enquanto jovens. E tem mais alguns casos que você, leitor, consegue discernir bem. Aqui me refiro a dois momentos muito gerais, mas que acontecem com a gente com frequência: quando o outro nos agride, prejudica, ou afeta negativamente de algum outro jeito, e quando eu dou uma sentença sobre algum ato de alguma pessoa sem que tenha havido nenhuma provocação justa pra isso. Ou alguém te causou um mal, ou você vai lá e DO NADA julga alguém.

Pra emitir uma sentença perante a lei, o nosso sistema jurídico precisa de um caso muito bem fundamentado, com todas as informações e provas, contextos agravantes e atenuantes, pra só aí dizer se é culpado ou inocente (pelo menos é o que se espera, mas isso é outro assunto!). Mas na vida cotidiana, “aqui na rua”, a coisa muda de figura! Nós vestimos a toga e pegamos o martelo com muita frequência. Sentamos também no banco do júri. E raramente ouvimos o réu. Me apresso a dar a sentença que eu, do alto de minha magnitude e sabedoria, declaro ser a melhor pra essa pobre alma que estou… Condenando.

Eu não tenho esse poder. Nem você. Nem no caso de você ser repetidamente ofendido por alguém! Isso pode parecer meio idealista demais, um pouco utópico, mas… Ninguém deve ter o poder de condenar outro alguém. Pois uma condenação tem peso de eternidade.

Se o texto acabasse aqui, você teria toda a razão do mundo pra ficar chateado e me CONDENAR como um péssimo “blogueiro”! Mas fica comigo aí, agora vem a boa notícia.

Jesus falou pra adúltera que “ninguém a tinha condenado” – mas instantes antes havia uma galera considerável pronta pra apedrejar a moça. Não se engane, esse apedrejamento seria até a morte. Ainda acontece hoje. O que salvou a mulher foi Jesus ter colocado os acusadores no seu devido lugar – o de não poder condenar! “Ninguém aqui ou em qualquer lugar tem capacidade, mérito, experiência ou base pra dizer que você não merece viver”.

O mesmo Jesus disse, entre várias outras promessas de felicidade, que “felizes (ou bem-aventurados) os misericordiosos, pois eles alcançarão misericórdia” – e o jogo aqui muda de figura totalmente, de 0 a 100, da água pro vinho. Ninguém pode condenar, mas todos são chamados a perdoar. Perdoar muito. Perdoar sempre. Até quando parece impossível. Isso se torna mais fácil quando você finalmente percebe que, se ao condenar eu carrego o peso da responsabilidade de ter jogado sobre alguém um fardo quase sempre injusto, ao perdoar eu percebo e faço perceber que ninguém me deve nada. Isso tira o peso das costas do outro, não importa o que ele te fez. Isso tira o peso também das suas costas, pois você não é juiz de coisa nenhuma. E esse peso simplesmente deixa de existir, pois não existe uma equivalência de forças em jogo. O perdão é muito superior à condenação, pois tem o poder de fazer desaparecer algo ruim, enquanto a outra apenas faz pesar mais algo que nem deveria ser considerado por nós.

Praticar o perdão então nos faz alcançar o perdão também – pois todos temos pecados a serem perdoados. E todo o sofrimento que suportamos se transforma em vida se soubermos dar a eles o peso que eles tem – e com as ofensas não poderia ser diferente. Quando o perdão vem do coração, não cobra nada em troca, traz vida em abundância pra ambos, o que perdoa e o que é perdoado. E daí muitos erros, transgressões e desvios deixam de pesar nas suas costas, pois “a caridade cobre uma multidão de pecados”

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”

Sobre Adriano Reis

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