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No olho do furacão

2019 começou a todo vapor, trazendo uma série de tristes acontecimentos que assustam e chocam nossa natureza humana, como o rompimento da barragem de Brumadinho (25/01), o incêndio no centro de treinamento dos atletas da base do Flamengo (08/02) ou a morte do renomado jornalista brasileiro Ricardo Boechat em um acidente de helicóptero (11/02). É fato que nesses momentos percebemos nossas fragilidades e como a vida é passageira.

Essas situações acentuaram em mim o sentimento sobre quanto a vida é exigente e fugaz, grandes catástrofes têm esse efeito. No entanto, a maior parte da população não experimenta a dura realidade como nesses ocorridos, mas sim outras sucessões de infortúnios que a assola.

Pensar nessa série de acontecimentos fez com que traçasse um paralelo com as mais simples vidas humanas, os pais de família, os estudantes, os trabalhadores… afinal, não é preciso que uma tragédia caia sobre nós para que percebamos que também as nossas vidas possuem as suas tragédias.

O início do ano sempre traz novas esperanças, sonhos, propósitos e projetos… Mas também traz responsabilidades, crises, corre-corre… É nesse momento que mergulhamos no furacão que a vida é, em que os fatos são impostos e sobrepostos sem que, por vezes, sequer percebamos. Temos inúmeras boas intenções, como se doar mais naquele novo emprego, estar mais presente na família, ser um namorado(a)/esposo(a) mais atencioso. E por todas essas coisas dispensamos tempo e dedicação! Tudo isso é ótimo e tem o seu valor! Porém, somos humanos e nem sempre conseguimos cumprir com tudo isso ou nos colocar 100%, corpo e alma, nessa empreitada!

Nessa hora, quando percebemos nossas fragilidades, frustrações, cansaços, somos absorvidos pelo furacão que a rotina se torna, ligamos o piloto automático e seguimos: despertar, trabalhar, estar com as pessoas, dormir. De forma mecânica, esperando um feriado ou um momento em que algo ou alguém nos desperte para um momento ou atividade em que realmente queiramos estar ou fazer.

Quantos de nós vivemos assim, levados pelo furacão que nossas vidas se tornaram e dessa forma vivemos não grandes tragédias como aquelas supracitadas, mas algumas pequenas reforçam essa situação que arrasta nossa existência. Ficamos chocados com um incêndio, mas não nos chocamos mais com as brigas e discussões em nossos lares! Chocamo-nos com uma cidade mergulhada em detritos minerais, mas não nos chocamos com as corrupções existentes em nosso trabalhos! Chocamo-nos com um acidente aéreo de alguém famoso, mas não nos chocamos com as necessidades físicas, financeiras e psicológicas que as pessoas ao nosso redor vivem!

Um pesquisador do Centro Nacional de Furacões – NHC, Denis Feltgen, explica que “como tudo no universo, um furacão morre quando deixa de ter uma fonte de energia”. É preciso que paremos de alimentar nossos furacões, saiamos de nossas misérias humanas, mesquinharias, esquemas, rotinas… para que vivamos de verdade, com plena consciência da nossa humanidade! Pois nada disso nos realiza verdadeiramente.

Busquemos nos colocar de corpo e alma em nossas vidas, em cada ação e cada pequeno gesto, com um esforço hercúleo de não nos deixarmos abater pela rotina, pelo peso das situações, mas em tudo uma consciência do porquê estamos fazendo as coisas, uma consciência terrivelmente forte do nosso desejo de infinito. Como diz o Papa Bento XVI “O homem é criado para o infinito. Todo infinito é pouco demais!”. Não nos deixemos arrastar pelas rotinas, esquemas, tristezas, tragédias que compõem o furacão da vida humana. Antes, corramos para esse Infinito, para que cheguemos ao fim da vida realizados em nossa humanidade.

Alcemar Junior
Oficina de Valores

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Um comentário

  1. “(…) somos absorvidos pelo furacão que a rotina se torna, ligamos o piloto automático e seguimos (…)”
    Nada melhor que um texto falando disso para nos lembrar que a vida, no final das contas, não é isso!!!

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