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O cuidado com a natureza como forma de preservar a vida humana

 

O cuidado com a natureza como forma de preservar a vida humana

 

Não pode ser autêntico um sentimento de união íntima com os outros seres da natureza, se ao mesmo tempo não houver amor no coração, ternura, compaixão e preocupação pelos seres humanos. […] Tudo está interligado. Por isso, exige-se uma preocupação pelo meio ambiente, unida ao amor sincero pelos seres humanos e a um compromisso comum com os problemas da sociedade.

Papa Francisco. Laudato si, nº 91.

 

As palavras trazidas pelo papa Francisco na sua encíclia Laudato si soam extremamente necessárias para o ano de 2020. Ano este no qual o Brasil e o mundo enfrentam, entre muitos outros, dois grandes problemas, a pandemia de Covid-19 e o desmatamento provocado sobretudo por queimadas.

O primeiro dos problemas, atenta diretamente contra a vida humana. Prova disso é que a doença já fez mais de um milhão de vítimas em todo o mundo. Já o desmatamento, além de impor a extinção a uma série de animais e plantas, tem o potencial de colocar em risco a saúde de milhões de pessoas. Isto porque, o desmatamento e a exploração desenfreada das florestas podem, inclusive, ser o motivo para o surgimento de zoonoses com o potencial de se tornarem novas pandemias. Afinal, como escreveu o papa “tudo está interligado”.

As zoonoses são doenças transmitidas de animais para pessoas. Geralmente, surtos dessas doenças ocorrem quando um animal que habita um ambiente afastado dos homens passa a ter contato com animais domésticos ou até mesmo com os seres humanos. Tal contato possibilita que os patógenos presentes no animal silvestre “pulem” para o animal doméstico ou para as pessoas. Mudanças climáticas e as ações como o desmatamento estão entre as principais causas de aproximação entre os animais silvestres e humanos.

Quando as florestas são destruídas para, por exemplo, abrir espaço para a agricultura ou para a pecuária, os animais maiores, geralmente as espécies predatórias, procuram novos habitats. O mesmo ocorre em caso de incêndios. A ausência de predadores cria um ambiente perfeito para o surgimento de superpopulações de morcegos e roedores. Essas espécies estão entre as mais perigosas no que diz respeito à hospedagem de patógenos que podem “pular” para os animais domésticos e humanos.

O risco aumenta quando o desmatamento é seguido da ocupação humana ou de animais domésticos. Morcegos e ratos se adaptam com facilidade à presença humana. Assim, a proximidade entre hospedeiros e possíveis vítimas potencializa a transferência dos patógenos e, com isso, o surgimento de doenças que podem se tornar pandemias.

O crescente conhecimento sobre essa relação de causalidade tem feito cientistas do mundo todo chamar atenção para algo que o papa Francisco já havia destacado em sua encíclica: preservar a natureza é cuidar da vida humana. Um estudo recente publicado na importante revista Science defende que investir na redução do desmatamento é uma das formas mais eficientes e baratas de prevenção contra o surto de novas doenças virais.

Nesse sentido, o Brasil, pelo intenso desmatamento registrado nos últimos anos, e pela enorme diversidade de animais presentes em suas florestas, tem sido apontado como um forte candidato a sediar o surgimento de uma nova pandemia. Nesse cenário, chama a atenção o fato de que os recursos nacionais para a preservação de desmatamentos não estão sendo utilizados pelos órgãos competentes.

Apesar da situação de alerta vivenciada pelo Brasil, há um consenso entre os cientistas que o investimento na preservação das florestas deveria ser dividido entre todos os países. De fato, o cuidado com a “casa comum” (forma como o papa Francisco chama a Terra em sua encíclica) é de interesse de todos. Assim também deveria ser o cuidado com a humanidade, que fundamenta a preocupação com a preservação da natureza. Afinal, como argumenta o papa Francisco, “é preciso revigorar a consciência de que somos uma única família humana. Não há fronteiras […] que permitam isolar-nos”.

Rhuan Reis

Ler também:

Do nipah ao coronavírus: destruição da natureza expõe ser humano a doenças do mundo animal:https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/04/07/do-nipah-ao-coronavirus-destruicao-da-natureza-expoe-ser-humano-a-doencas-do-mundo-animal.ghtml

“Militares gastam menos de 1% da verba prevista contra desmatamento na Amazônia” https://www.gazetadopovo.com.br/republica/amazonia-desmatamento-militares-exercito-operacao/

Ecology and economics for pandemic prevention Investments to prevent tropical deforestation and to limit wildlife trade will protect against future zoonosis outbreaks: https://science.sciencemag.org/content/sci/369/6502/379.full.pdf

 

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