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O Hobbit: Minha reação inesperada

Por: Alessandro

Existem livros que sempre sonhamos ler. Claro que antes de lê-los não sabíamos disso, mas após ter contato com suas páginas a coisa fica clara: aquelas linhas são repostas aos nossos sonhos. Isso aconteceu algumas vezes comigo e a primeira delas foi com “O Senhor dos Anéis”. A aventura de Frodo e da Companhia do Anel não encontra, para mim, até hoje, nenhum paralelo. Tolkien escreveu uma obra única.

Fiquei bastante empolgado com a adaptação de “O Senhor dos Anéis” para o cinema e tenho orgulho de dizer que assisti os filmes na estreia. Cabe aqui um pequeno detalhe: o primeiro filme estreou em 1º de janeiro e o terceiro dia 25 de dezembro. Fui ao cinema no Natal e no dia de ano Novo. Não me arrependi. Embora tenha achado o segundo filme mais fraco, gostei muito da trilogia.

Após a leitura da épica trilogia, mergulhei no universo criado por Tolkien. Li “O Hobbit”, “Silmarilion”, “Contos Inacabados”, “Os Filhos de Húrin”. Li também alguns livros deste autor que não são relacionados com a saga do anel, como “Roverandom”, “Mestre Gil de Ham” e “Uma folha por Niggle”. Tenho na minha estante algumas outras obras “tolkenianas” esperando sua vez de serem lidas.

Dado esse breve histórico, o leitor já pode ter uma ideia de como nutri boas expectativas para a adaptação de “O Hobbit”. Mais uma vez comprei ingresso para a estreia, ou melhor, para a pré-estreia. Desta vez, a seção foi às 00h:01min de um dia 14 de dezembro. Desta vez meus planos malograram; devido a uma reunião da pós-graduação não pude assistir o filme no momento que desejava.

Pois bem, não tardou muito para que eu fosse assistir o filme. Fui dia 15 de dezembro, as 14h:30min. Faz pouco tempo que cheguei do cinema e resolvi logo tecer estes comentários para não perder o calor da experiência. Antes de redigir minhas considerações deixo claro o seguinte: fui para o cinema com altas expectativas e voltei, inesperadamente, com as mesmas não realizadas.

Gostaria muito de não ter nada para falar mal deste filme. Gostaria de estar aqui apenas tecendo elogios e me detendo a comentários da trama. Poxa, é um filme que adapta um livro do Tolkien! E quem dirigiu a adaptação foi o Peter Jackson, o mesmo que fez um grande trabalho em “O Senhor dos Anéis”! Mesmo com tudo isso, não fui cativado como havia sido na trilogia anterior.

Para que o leitor entenda meu ponto de vista, vale dizer que “O Hobbit” não foi pensado como uma introdução à saga de “O Senhor dos Anéis”. Tolkien lançou seu primeiro livro e como este fez sucesso, o editor pediu que ele escrevesse uma continuação. Tolkien então passou treze anos escrevendo a sequência que saiu completamente diferente da aventura que escrevera anteriormente.

“O Hobbit” é um livro infantil, um excelente livro infantil. Um livro infantil que adultos vão amar; mas ainda assim um livro infantil. A narrativa é mais leve e os desafios menos sombrios. Já “O Senhor dos Anéis” é um épico, um grande confronto entre as forças das trevas e as da luz; a narrativa, nesta obra, é mais densa e o enredo mais detalhado. Se o Hobbit merece figurar ao lado de “As Crônicas de Nárnia” de C.S. Lewis, “O Senhor dos Anéis” tem mais pontos de contato com a “Odisseia” de Homero.

Dito isto, cabe dizer que as características que diferenciavam “o Hobbit” foram suprimidas no cinema. Várias sequências foram criadas pelo cineasta para juntar as duas obras e personagens que nunca deram as caras no livro que narra a jornada de Bilbo com os anões, apareceram em diversas cenas. Não estou aqui entrando no conhecido discurso “o livro é melhor”. Sei que o filme é uma obra em si e tem que ser pensado assim. Não me importa que mudanças sejam feitas, tanto que aplaudi algumas realizadas no filme “A Sociedade do Anel”. Quero apenas dizer que a adaptação não traduziu o espírito da obra, fato que julgo um pouco mais grave dado o perfil do filme e a postura do diretor, que se declara grande fã de Tolkien.

Além desse problema, julgo que algumas sequências de ação foram exageradas e me pareceram pouco naturais. Não estou dizendo que queria que fossem realistas, afinal o filme é um fantasia, mas em certas cenas foi difícil suspender a descrença.

Talvez o leitor agora possa estar pensando que achei o filme uma bela porcaria. Longe disso! O filme adapta uma obra do Tolkien! E o diretor é o Peter Jackson! Acho que seria impossível a magia da Terra Média não transparecer nem um pouco. Gostei de diversos pontos, principalmente da sequência que adapta o capítulo “Charadas no Escuro” e da chegada dos anões na casa do folgado hobbit. Tentarei comentar um pouco a trama de maneira a não atrapalhar aqueles que ainda não viram o filme.

Como em “O Senhor dos Anéis”, a história começa de fato com uma visita de Gandalf, o mago. Em “O hobbit”, outras visitas são tão importantes quanto. Digo isso a respeito da comitiva de anões que invade a casa de Bilbo transtornando por completo a vida do pequenino. Esta é uma das sequências mais engraçadas e, julgo eu mais importantes, tanto do livro quando do filme. Bilbo Bolseiro vivia uma vida confortável, embora solitária. Isso fazia com que seu olhar recaísse sobre o supérfluo. Tal situação só é rompida quando ele recebe em sua casa pessoas que a bagunçam, mas que a tornam alegre como há muito tempo não era.

Em determinado ponto do filme Gandalf é inquirido acerca do “porque” de sua escolha por Bilbo, afinal ele é fraco e pequeno. O velho mago Mithrandir reconhece não saber direito a resposta, mas diz que talvez seja porque enquanto Saruman julga que apenas um grande poder pode manter o mal afastado, ele está cada vez mais convencido de que são os pequenos atos dos homens mais comuns que realizam tal proeza. Diz também que o hobbit lhe dá coragem.

Algo que Gandalf não diz, mas que creio poder deduzir sem medo de cometer grandes exageros é que o convite para aventura, o convite para ajudar os anões a reconquistarem sua casa, era uma tentativa de salvar Bilbo. O mago enxergava o que estava dentro do pequenino e que, por diversos, motivos estava começando a morrer. A aventura salva na medida em que retira-nos de nosso mundo pequeno e nos permite contribuir. E isso ocorre mesmo que sejamos pequenos, mesmo que sejamos hobbits.

Outro ponto que julguei fantástico é que a maior parte da aventura é uma longa caminhada. Na maior parte do tempo não há combates de espadas, ou cidades élficas, ou mesmo dragões e tesouros, mas um grupo de amigos caminhando. E nessa caminhada eles conversam, cansam-se, brigam, riem, comem e sonham. Isto também está presente nos livros, tanto em “O Hobbit” quanto em “O Senhor dos Anéis”, mas só fui perceber hoje. A maior parte da aventura consiste em coisas simples que nos conduzem às situações grandiosas. Ou talvez, em coisas pequenas que dão sentido às grandes…

Uma história como a mostrada em “O Hobbit” sempre vale a pena. Vale pena ler, ver ou ouvir. Vale a pena porque toca em dimensões humanas que corremos o risco de relegar a um segundo plano. Mesmo tendo achado que o filme não foi a obra que esperava, verei os seguintes com certa empolgação. Esta semana assistirei novamente ao início da jornada inesperada de Bilbo do Condado . A obra de Tolkien e o trabalho do Peter Jackson merecem uma segunda apreciação.

Devo dizer, no entanto, que o melhor propósito que tirei deste filme foi reler o livro e sua fabulosa sequência. Saí do cinema com saudades de Gandalf, Frodo, Bilbo, Gollum e Aragorn. Encontrarei novamente estes amigos em breve. E se você, caro leitor, só teve contato com tais personagens pelo cinema, recomendo vivamente que procure uma livraria. Com certeza não se arrependerá.

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