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O papel de cada um

No início do ano letivo sempre trago aos meus alunos a seguinte pergunta: O que devemos fazer para ter uma boa relação em sala de aula? Nesses cinco anos que tenho de professor, foram dadas várias respostas como: o respeito, a generosidade, a educação, a empatia. Porém há uma sempre em destaque: a responsabilidade, tanto deles para comigo, como de mim para com eles. Mas sempre questionei: como podemos definir a responsabilidade?

Diante desses anos lecionando tentei colocar de vários modos, e em vários aspectos algo que tivesse uma conclusão única, porém me deparei com várias respostas diferentes como: o cuidado com o outro ou com algo, a preocupação com a realização de uma meta, o funcionamento de uma estrutura que faz parte de um todo. Porém, esse ano veio uma resposta surpreendente e que fez pensar outro lado. A responsabilidade é quando percebemos, aceitamos e cumprimos nosso papel em meio ao mundo.

Isso está muito ligado à etimologia da palavra, pois responsabilidade vem do latim respondere, que significa “estar em condições para tal”. Só é possível dizermos que temos a responsabilidade a partir do momento que temos condições para cumprir aquilo que somos responsáveis. Mas só chegaremos a essa possibilidade se soubermos de fato qual é o nosso papel e a nossa função.

Partindo disso poderíamos achar que essa reflexão é meramente uma proposta abstrata, no sentido de nosso papel no mundo, nossa missão em meio a um caos social, como um discurso meramente filantrópico. Contudo, a proposta é bem diferente disso, é que pensemos diante do nosso dia a dia, no nosso trabalho, estudo, família, amizades, namoro, igreja e demais coisas, como podemos de forma prática e viva identificar o nosso papel e cumpri-lo?

Percebemos que há certa obviedade nessas palavras, e de fato, isto tudo é bastante evidente, que cada um precisa cumprir seu papel nas diversas áreas de nossa vida, mas a pergunta que fica é: será que de fato nós cumprimos nosso papel? Ou será que é um mero discurso? Em meio a nosso trabalho, fazemos com gosto e cuidado para aqueles que vão receber o produto disso? Somos ativos e organizados com os nossos estudos para atingir nossas metas? Damos atenção para a nossa família quando ela precisa? Estamos abertos a estar com os nossos amigos até mesmo em tempos ruins? Compreendemos que nosso parceiro (namorada ou namorado) é diferente de nós e que precisa da nossa ajuda, como nós também precisamos para crescer? Enxergo que a igreja é feita de muitas pessoas e cada um tem seu papel importante na missão?

Certamente, nós nos deparamos com alguma dessas perguntas, se não todas elas. E já é algo importante, porém a diferença de nossa vida está aí: entre aqueles que param nas perguntas e indagações; e aqueles que vão além delas, buscando essa autoconstrução a todo instante. Porque esse é o desafio, cumprir meu papel das diversas áreas da minha vida, percebendo a todo instante essa mudança na vida do outro e na minha também. Constatando que minha vida tem movimento, tem presença e sentido, que não estou meramente por estar naquele lugar ou com aquela pessoa. Conscientemente eu sei o que devo fazer.

Pela simples razão de que o pior dos males nos dias atuais é a indiferença naquilo que devemos fazer, perceber que o outro precisa de que se faça aquilo que só nós podemos fazer e não fazemos. Por isso, temos que correr contra a maré da irresponsabilidade e assumir nosso papel, para que os demais enxerguem em nós a esperança que todo mundo será amparado pelo outro e tem sua importância no mundo. Pois, como diria o filósofo contemporâneo Sartre:

O homem está condenado a ser livre, condenado porque ele não criou a si, e ainda assim é livre. Pois tão logo é atirado ao mundo, torna-se responsável por tudo que faz.”    SARTRE, J., O Ser e o Nada, 1943.)

Ou trazendo à tona a célebre, mas simples frase do Tio Ben dita ao Peter Parker no filme Homem-Aranha:

“Grandes poderes, grandes responsabilidades.”

 

Angelo Rodrigues – Oficina de Valores

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