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O tempo sempre é curto demais para fazermos tudo que esperamos

 

Neste terceiro texto da sequência sobre desenvolvimento profissional e acadêmico, pretendo ilustrar o caminho das pedras que muitos profissionais renomados utilizam para garantir uma vida de sucesso.

Na revista Isto É, no dia 30 de abril de 2010, saiu uma reportagem que ilustra bem o sentimento do profissional moderno, citando um texto da própria revista: “Vivemos numa sociedade que cobra perfeição na vida pessoal e profissional, e as pessoas se sentem cada vez mais exigidas.”. Essa matéria seguia com uma lista dos principais fardos contemporâneos e sugeria dicas para administrá-los.

A intenção do texto não é focar na matéria da Isto É em si, mas perceber quais características de insatisfação, que essa matéria retratava, têm permanecido na vida dos profissionais de hoje. Dentre os 10 fardos, encontrávamos a culpa paterna (pais e mães que reclamam por não ter tido mais tempo para ficar com seus filhos), a culpa do trabalho (pessoas que gostariam de ter arriscado mais e ter trabalhado melhor para obter melhores resultados), a culpa do sedentarismo (pessoas que gostariam de se exercitar, ler e fazer outras coisas, mas não têm disposição para sair da cama) e a culpa do lazer (aquelas pessoas que gostariam de ter mais tempo para ao lazer). Por que será que essas são as principais queixas de hoje?

Os fardos existem por algum motivo, desse modo, alguma coisa deve nos levar a uma vida em que nos percebemos insatisfeitos e acabamos não fazendo as coisas do jeito que esperamos. Onde se encontra a culpa? A primeira resposta que nos vem à mente é que o tempo sempre é curto demais para fazermos tudo que esperamos.

Vamos tentar entender: meu dia tem 24h. Dessas 24h, 8h passo dormindo, me sobram (24h – 8h = 16h). Outras 8h são gastas no trabalho, seguidas de 1h de deslocamento, restando no final 7h (16h – 9h = 7h). O futebol com os amigos ocupa 1h do dia e o tempo para gastar com a família outras duas horas, geralmente, tiro um tempo para ler um livro e jornal (mais 1h) e tem o tempo dos amigos (mais 1h) e me restam 2h. Nessas 2h tenho que tentar encaixar revisão do carro e outros problemas que aparecem, aquele curso de idiomas que sempre quis fazer, o treino de triátlon em que sempre quis entrar, limpar a casa, pentear o cabelo, escovar os dentes… enfim, não sobra tempo!

Então como resolver o problema do pouco tempo? Será que existe uma maneira para sermos realizados em todos os aspectos e conseguirmos garantir nossas horas de sono? A solução está em aprendermos a priorizar as coisas e isso está diretamente ligado à ideia de crescimento sustentável que visa a garantir que nos desenvolvamos em todas as dimensões da nossa vida.

A definição mais aceita para desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro.

Esse desenvolvimento acontece dentro das dimensões humanas que vão de encontro às frustrações destacadas na matéria da Isto É citada no início – e tantos outros artigos que busquem estudar os problemas dos trabalhadores da nossa época. As dimensões são: Familiar, Profissional, Afetiva/Amigos, Fisiológica e Transcendental.

O grande problema é que cada vez mais as pessoas valorizam uma dimensão da vida e esquecem-se das outras, tornando-se pessoas incompletas e garantindo motivos para arrependimento futuros desnecessários. Essas dimensões não são igualmente importantes, mas devem ser valorizadas em sua criticidade para garantir que o ser humano atinja seu objetivo e saiba o que de que bens deve abrir mão para alcançar bens mais elevados.

Explicando rapidamente cada dimensão: A dimensão familiar é a que garante, quando desenvolvida, que serei um bom pai e um bom marido e deve ser valorizada por ser tratar de uma dimensão importante no ser humano; a dimensão profissional é a que me convida a estudar sempre, a crescer em espírito de serviço e a garantir a produtividade em tudo que eu faça; a dimensão fisiológica é a que garante que eu tenha um corpo saudável, pratique esportes e cuide do meu hardware para aguentar o trabalho por um bom tempo; a dimensão afetiva/amigos é aquela que me lembra de ajudar os outros, de ter pessoas próximas e cuidar delas (lembrando que isso dá trabalho, como toda manifestação de amor); por fim, mas não menos importante, a dimensão transcendental, que é o eixo de todas as outras, afinal é ela que regula qual é o nosso fim último e submete as outras, garantindo que atuemos nelas buscando esse fim.

Aprender a desenvolver-se de maneira global permite que consigamos atingir o fim para o qual fomos “projetados”, a felicidade. Permite também que saibamos regular cada uma das dimensões humanas, buscando dar valor ao que deve ser valorizado e não nos deixando levar por egoísmos bobos. O crescimento sustentável nos permite analisar cada dimensão de desenvolvimento e verificar qual dimensão é mais importante para que saibamos ter prioridades e, assim, garantir que estamos fazendo o que deveríamos no momento em que deveríamos, evitando que caiamos nas armadilhas de uma vida incompleta.

Em um exemplo prático, lembro-me de uma história de um grande executivo que durante uma das mil reuniões de seu dia descobriu que seu filho tinha cometido suicídio; transtornado com tal situação, começou a refletir qual teria sido o motivo. Infelizmente, não conseguiu descobrir o que motivou o filho, pois a sua primeira conclusão foi que não sabia pelo que o filho estava passando por gastar o dia todo no trabalho e não ter tempo para família. Será que todo o prestígio profissional valeu tanto assim? Ou será que passar 14h trabalhando e não cuidar do seu fisiológico ou tirar tempo para os amigos trará a realização para uma pessoa? Nesse caso, qual deveria ter sido a escala de prioridades desse pai?

O desequilíbrio entre as quatro áreas – familiar, profissional, fisiológica e afetiva – ainda é notado por muitos, mesmo que cada vez se tenha o percebido menos. Entretanto, a dimensão que mais tem feito falta ao homem moderno e que deveria regular as outras e potencializá-las é a dimensão transcendental. Quantos ainda hoje não se perguntam as grandes questões da vida: de onde vim? Para onde vou? Por que estou nesse mundo? Quantos vivem sem essa resposta e refugiam-se em uma vida incompleta?

Sei quais são as prioridades da minha vida? Trato as prioridades como tal? Nunca nos esqueçamos, cada minuto a mais é um minuto a menos… “só vale a pena viver pelo que vale a pena morrer”

Jonathan Penha de Almeida
Estudante de engenharia de produção – UFRJ – Oficina de Valores

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