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Os cuidados com a vida interior

No início do ano, ou pelo menos durante os primeiros meses dele, costumamos realizar uma série de planejamentos e objetivos que deverão nortear nossos passos na vida profissional, escolar ou universitária e até mesmo pessoal. Essa prática é, sem dúvidas, fundamental, pois traçar o caminho no qual seguiremos nos livra de cairmos na tentação de perdermos o fio que nos conduz ao nosso objetivo final: concretizar nossos planos. Um dos erros que podemos cometer nessa preparação é nos preocuparmos apenas com a nossa vida exterior e não nos prepararmos para os desafios de nosso interior.

Quando olhamos apenas para o que está a nossa volta e deixamos de nos preocupar com aquilo que está dentro de nós, somos surpreendidos com a falta de força em momentos mais difíceis ao longo do ano. Para o sacerdote e escritor Francisco Faus, existem duas causas da falta de recolhimento interior muito comuns: o descontrole da imaginação, da memória e das emoções e o medo de ser sincero para se enfrentar consigo mesmo. Em outras palavras, vivemos em uma sociedade muito agitada e movimentada que mexe com nossa imaginação e emoções, nos impedindo de ficarmos alguns momentos em silêncio para enxergarmos o nosso interior. Além disso, nós mesmos temos receio de olhar para si e encontrar um vazio, por isso deixamos de pensar tantas vezes.

Um exemplo talvez elucide melhor esta situação: nunca aconteceu de você estar sozinho, à noite, na cama ou em algum lugar isolado e silencioso e, mesmo assim, você não conseguir ficar em paz consigo, por que há uma agitação caótica dentro de você? Lembranças, preocupações, medos e ansiedades geralmente não o deixam ter um tempo de calma. Ou será que tem medo de se enfrentar, por que teme o vazio que pode descobrir?

A solução para os meus problemas cotidianos começa a ser descoberta não apenas quando eu os resolvo na prática, mas também à medida que eu me preocupo mais com a minha vida interior. Para consertar uma televisão que esteja com problema na imagem ou na hora de ligar, o técnico não se preocupa tanto com a parte externa do aparelho, mas com aquilo que está dentro que faz com que ela funcione. Do mesmo modo acontece conosco quando não planejamos nosso momento de oração e espiritualidade: tentamos curar problemas internos com soluções meramente externas.

Corrigir essa dificuldade que temos não é algo tão simples para ninguém, entretanto Francisco Faus traça alguns caminhos para nos organizarmos melhor e darmos passos importantes. Para buscarmos o recolhimento interior é fundamental que busquemos alcançar três pontos: a ordem, isto é, a organização do horário de nossas tarefas; vencer a curiosidade inútil ou má, ou seja, evitar curiosidades infantis, descontroladas e que nos fazem perder tempo; e reagir contra pensamentos nocivos.

Sobre a “ordem”, faz quase dois anos que eu fiz o propósito de arrumar diariamente o meu quarto. Sempre que alguma coisa está fora do lugar eu me obrigo a reordená-la. Isso fez com que eu criasse uma virtude apenas em uma área da minha vida, contudo, por consequência desse primeiro passo, tenho me preocupado mais em criar outras boas práticas como a oração em horários mais fixos e determinados.

Acerca da “curiosidade inútil ou má”, creio que num mundo no qual a ociosidade é preenchida com a utilização da internet, a maioria de nós (incluindo eu) enfrentamos enormes dificuldades em superar essa prática por estarmos “conectados” a todo momento. Queremos sempre dar aquela “espiadinha” no que os outros estão fazendo (a existência do BBB é um exemplo disso). Sem dúvidas uma das estratégias para sair disso e que funciona comigo é criar uma rotina ao longo da semana, tentando preencher cada momento com um compromisso e deixando poucas brechas para o ócio.

Já os “pensamentos nocivos” geralmente têm a mesma raiz da curiosidade por surgir de um mal hábito, porém também estão intimamente ligados às falsas ideias que criamos das coisas. Nesse caso, a distração aparece porque temos dificuldades de manter o foco em algo, e para solucionar esse problema é preciso que criemos gosto pelo que fazemos e entendamos a importância daquilo. Para isso, tenho vivido a experiência de compreender melhor a importância da fé e os resultados práticos que ela tem na história, assim como no meu dia a dia.

A fim de que tenhamos um grande ano, seria interessante refletirmos acerca das dicas de Francsico Faus e nos espelharmos na vida e nas palavras de Madre Teresa de Calcutá:

“O fruto do silêncio é a oração. O fruto da oração é a fé. O fruto da fé é o amor. O fruto do amor é o serviço (a intimidade com Deus sempre leva a servir os outros). O fruto do serviço é a paz”.  

Lucas Rodrigues

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2 Comentários

  1. Carolline Dias

    Que texto incrível. É realmente imprescindível organizar a vida interior e não ter medo do que tiver de encontrar lá, esse enfrentamento é necessário para por tudo em ordem. Gostei muito do texto.

  2. Amei o texto! É uma ótima reflexão! Cuidar do nosso interior é muito importante!

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