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Os grandes desafios de Aragorn, Legolas, Gimili e Boromir

 

Não são raras as vezes que, ao ler um livro ou ver um filme envolvente, ao final parece que fazemos parte daquela história. O Senhor dos Anéis, obra de J.R.R. Tolkien, não foge dessa regra. Os motivos são diversos: o autor não só possuía uma qualidade enorme na escrita como também pensava a fantasia como uma forma de expressar os valores e anseios mais nobres do ser humano. Diversas passagens da obra do autor refletem essa perspectiva, mas ela aparece de forma muito clara na vida de seus personagens.

Sobre estes personagens é preciso saber que, na cosmologia de Tolkien, não existe apenas uma raça de seres racionais, mas são três principais: homens, elfos e anões (os hobbits, personagens centrais do livro, são parentes distantes dos homens). Na história de O Senhor dos Anéis estes povos precisam se unir para destruir o Anel, item místico que dá poder a Sauron, o vilão da história. O único jeito de destruir o Anel, e impedir que Sauron recupere seu poder, é lançá-lo no mesmo fogo que foi forjado, em um vulcão na Montanha da Perdição.

Vale ressaltar que na mitologia de O Senhor dos Anéis estes povos possuem conflitos uns com os outros, mas renunciam às diferenças em busca de um bem comum. Um pequeno grupo, chamado “A Sociedade do Anel”, é formado para levar a cabo esta missão. Não falaremos de todos os membros neste texto, mas dos representantes das três raças citadas: o anão Gimili, o elfo Legolas e os homens Aragorn e Boromir. Gostaria de pensar nestes personagens, que representam muito bem os seus povos, a partir de sua principal virtude.

Gimili é um anão, povo com menos estatura que os homens, mas fortes e barbudos. São excelentes artífices, fabricam joias, armas, esculpem pedras e constroem palácios. E se destacam principalmente pela vivência da virtude da fortaleza. Mais do que força física, está virtude se traduz no ânimo para suportar as dificuldades. Gimili representa muito bem essa característica de seu povo: não hesita em seguir a jornada para a destruição do Anel. Não impõe empecilhos ou inventa desculpas, mas domina a própria vontade para cumprir o que precisa ser feito. E um caráter forte não significa intransigente: Gimili aprende a mudar de ideia (mesmo com um pouco de custo) quando percebe que na verdade está sendo teimoso.

Legolas é o elfo do grupo. Elfos são criaturas imortais em questão de idade, acumulando ao longo dos anos enorme experiência e reflexão. Por este motivo são um povo em que se destaca a virtude da prudência. E ser prudente não é simplesmente ser precavido. Uma definição seria “a virtude que orienta a razão a discernir, diante de qualquer situação, qual o bem maior e como ele deve ser alcançado”. Está ligada à inteligência, ou ainda, à razão prática. Legolas é sempre equilibrado, ainda que a situação exija uma resposta mais enérgica. Usa das experiências passada, da leitura do presente e do planejamento futuro para guiar suas ações. A prudência, vale notar, não é simplesmente saber o que fazer (isso é astúcia): pressupõe querer o bem. E é uma virtude que tem um fim prático, pois não adianta ponderar e se omitir.

E por fim temos dois homens: Boromir e Aragorn. Boromir é o filho do regente, guerreiro nobre e corajoso. Aragorn é o herdeiro do trono, o verdadeiro rei que não assumiu seu papel. Não são imortais como os elfos e por isso, tal como os homens de nosso tempo, manifestam a inquietação da busca do eterno. Muito bem se destacam pela virtude da magnanimidade. Ser magnânimo é ter os horizontes largos, sonhar grande. Possuem, portanto, uma grandeza de coração. Os dois vivem de forma diferente essa virtude, principalmente ao esbarar nas duas principais dificuldades de vive-la: a mediocridade e a ambição.

Aragorn é hábil, inteligente, generoso. Mas hesita em abraçar seu destino de rei, com certa insegurança em relação à grandeza do seu destino. Se contenta por muito tempo em viver um meio termo: sabe que não é um homem comum, mas não assume a responsabilidade. Teme as consequências daquilo ao que é chamado. Se Aragorn cai da magnanimidade para a mediocridade, Boromir passa ao outro extremo que é ambição. Deseja o poder ao ponto de querer tomar o Anel para si, sob o pretexto de usá-lo contra o inimigo, mesmo sabendo que todos que o usarem podem se corromper.

É um pouco a realidade da nossa humanidade. Acredito que todos temos grandes ideais: fazer o bem através do nosso trabalho, viver um grande amor, ter uma experiência profunda com Deus. Mas será que não nos desvirtuamos por esses motivos: a mediocridade (covardia, medo de assumir a grandeza da vida) ou ambição (desejar o que é bom, mas por motivos tortos, como uma simples busca de reconhecimento ou retorno puramente material). O lado bom da história é que os dois se redimem: Boromir se dá conta do erro e, ao se arrepender, se sacrifica para salvar a vida dos companheiros. E Aragorn, diante da eminente guerra, assume o papel da liderança e se coloca à disposição de se sacrificar para que o Anel possa ser destruído.

Por fim, há uma virtude teologal que aparece principalmente em Aragorn: é a esperança (o nome dele quando criança era Estel, esperança na língua dos elfos). Fala muito ao nosso momento atual, porque a esperança não é um otimismo ingênuo (“vai ficar tudo bem”), mas a confiança de que podemos encontrar o bem ao final. Para isso precisamos empregar os meios, fazer sacrifícios, ver e rever nossas metas, mas sempre alimentando essa virtude sobrenatural com a certeza de que o bem triunfará. E na visão de Tolkien sobre a relação entre a literatura e vida, esta sem dúvida era uma de suas maiores convicções.

 

Diego Gonzalez

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