BIGtheme.net http://bigtheme.net/ecommerce/opencart OpenCart Templates
Home / Cristianismo / Os grandes desafios de Frodo, Sam e Gollum

Os grandes desafios de Frodo, Sam e Gollum

Há dois focos narrativos principais em O Senhor dos Anéis: um é sobre a guerra entre os Capitães do Oeste e o poder de Sauron; o outro diz respeito à jornada de uma comitiva para destruir o Um Anel. Integram essa comitiva o mago Gandalf, o anão Gimli, o elfo Légolas, os humanos grandes Boromir e Aragorn e os humanos pequenos Merry, Pippin, Sam e Frodo. Quando a jornada começa, eles todos se unem à demanda do Anel. Posteriormente, a maior parte se dirige à batalha e somente Sam e Frodo seguem em busca do objetivo inicial.

Tolkien diz em uma de suas cartas que, ao elaborar sua obra, ponderou sobre as mais de 600.000 palavras utilizadas. Se ele pensou sobre a seleção vocabular, sobre os nomes e a ambientação, o que dizer então sobre a construção dos personagens? Eles foram uma escolha consciente do autor, e é importante ter isso em mente ao perceber quais são os heróis escolhidos para desempenhar os papéis principais em sua história: hobbits. Estes são uma ramificação da raça humana, adoram a natureza, são seres simples, gostam de festas e muitas refeições diárias. Medem entre 60cm e 1,20m, não gostam de aventuras, pois preferem a paz e a tranquilidade e têm uma conexão profunda com sua terra, o Condado.

Uma das principais características dos hobbits na demanda do Anel é a sua resistência, resistência ao poder de Sauron. Isso não significa que o Anel não tenha nenhuma influência sobre eles, pois ele tem, mas significa que por eles não serem tão gananciosos pela riqueza e pelo poder quanto os homens, há uma menor efetividade do inimigo sobre eles, contudo, sempre que o Anel é utilizado ele dá algo, mas tira algo em troca. Ele dá a invisibilidade, mas cobra um pouco da liberdade de quem está de posse dele, ou seja, quanto mais tempo com o Anel, mais difícil libertar-se dele, desfazer-se dele.

Não só Frodo e Sam são importantes para a missão do Anel. Outro personagem fundamental nessa saga é Gollum (ou seu nome hobbit, Sméagol). Ele teve o Anel para si durante muito tempo (471 anos) e para tomá-lo assassinou seu amigo Déagol. Embora Gollum não tenha utilizado a força do Anel para dominação e construção de poder, ele tornou-se a sombra de um hobbit, um hobbit pela metade. E essa luta entre Gollum e Smégol pode ser vista em suas falas. Mas o grande e principal problema de Gollum é que ele é um QUASE arrependido, e esse quase arrependimento, nesse caso, foi fatal. Ele contribuiu para a causa, ele conduziu Frodo e Sam na terra de Mordor, mas no fim sucumbiu à traição e Gollum e o Precioso venceram Sméagol. E como Galdalf disse: “Um traidor pode trair a si mesmo e fazer o bem que não pretende”. Gollum fez o bem que não queria.

Também Frodo fez o que não queria, já que seu desejo era ter levado o Anel até Valfenda e lá ter permanecido com seu tio Bilbo. Frodo não é o modelo de herói que temos em nossa mente. Ele não é o descendente de reis, não é grandioso como Aragorn, mas recebe a grandeza como tarefa, como encargo. Ele sabe que é inadequado para a missão, que não está à altura, mas mesmo assim a empreende. Mas afinal, será que Frodo falhou em sua missão? Ele passou por muitas dificuldades e, ao chegar às Fendas da Perdição, não é capaz de desfazer-se do Anel, fazer o que ele foi fazer lá. A resposta é: sim e NÃO! Frodo de fato falhou em não conseguir jogar o Anel, entretanto, seu maior teste foi ser misericordioso com Gollum, ele não deixa nem Sam nem Faramir matá-lo, e é pela situação criada por seu perdão que ele foi salvo e aliviado de seu fardo. Frodo empreende sua demanda a custo de si mesmo, de seus ferimentos. Ele era adequado à missão porque se dispôs a se sacrificar.

E ele não está sozinho, porque os que deixaram a Comitiva desviam a atenção de Sauron. Além disso, ele tem Sam ao seu lado. Sam parece ser tudo aquilo que Frodo não é em determinadas circunstâncias. Ele consegue dar esperança quando Frodo não tem memória de nada que seja bom, ele não desiste mesmo quando seu amigo é hostil com ele. Sam recebe a missão de estar com Frodo, de ajuda-lo até o último passo e ele o fez, ao custo de doar sua comida e água para que Frodo tivesse a possibilidade de ficar mais forte. Ao custo de carrega-lo nas costas quando ele próprio já estava carente de forças.

O que toda essa narrativa tem para nos ensinar nos dias de hoje? Primeiro, que ninguém se salva sozinho. Todos nós precisamos de um Sam de vez em quando e em outros momentos precisamos ser Sam na vida daqueles que vacilam pelo caminho. Segundo, que precisamos dar tudo de nós para que nossas missões sejam cumpridas, quando nos acharmos inadequados, precisamos lembrar que ao entregarmos tudo de nós a graça e a providência agem onde nós já não podemos. E, por fim, um último ensinamento é de que os pequenos atos é que nos tornam verdadeiros heróis. Termino com uma frase do próprio Tolkien sobre os hobbits: “Eles são pequenos… sobretudo para exibir, em criaturas com pouca força física, o surpreendente e inesperado heroísmo de homens comuns em situações difíceis”

Sobre Nathalia Pereira

Veja Também

Doze Homens e um Grande Segredo

“Naqueles dias, Jesus foi à montanha para orar. Passou a noite toda em oração a ...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *