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Política 2012 ou Eleições 2012, como quiser.

 

 

 

 

 

Vamos viver em poucas semanas aquilo que se tornou uma espécie de símbolo máximo da escolha democrática, o totem da democracia. Falo das eleições Municipais. Esse evento que, talvez, só perca em simbolismo democrático para aquele outro momento que viveremos daqui a dois anos, ou seja, a eleição de representantes, desta vez para os mais altos cargos políticos da república.

Sobre tal assunto muito deve ser dito e, ainda mais, pelo fato de que pouco temos ouvido (ora por falta de ouvido nosso, ora por ausência de bocas alheias). Quando nos dispomos a ouvir (e encontramos bocas que falem) o conteúdo, ao que me parece, na maioria das vezes, carece de qualidade.

Talvez um bom início, já que me proponho agora a ser a boca que fala, seja o empenho em criar ouvidos que ouçam. Cito, portanto, apelando para a autoridade que me falta:

“Viver e agir politicamente em conformidade com a própria consciência não significa acomodar-se passivamente em posições estranhas ao empenho político ou numa espécie de confessionalismo; é, invés, a expressão com que os cristãos dão o seu coerente contributo para que, através da política, se instaure um ordenamento social mais justo.”[1]

É permitido ao católico uma gama enorme de posições políticas, só não lhe é permitido o aparente “direito” de permanecer “em posições estranhas ao empenho político”, apático, calado, em uma acomodação pacífica que ignora o mundo que se lhe apresenta como campo a ser trabalhado. A ele é vetado , como diz o documento, um “confessionalismo” que muito mais que uma escolha parece ser uma falta de opção preguiçosa diante do imenso trabalho que clama realização.

Uma série de posturas me parece expressar essa falta de empenho nesse campo. O bom e velho ditado de que todos os políticos são farinha do mesmo saco é simples, mas é, também, um belo exemplo. Primeiro porque a máxima parece ser a fórmula mágica, e todo aquele que a pronunciar estará livre de toda e qualquer responsabilidade e culpa. Terá ainda todo o direito do mundo de não se importar com questões políticas, mesmo as mais pertinentes.
É aí que chegamos a um ponto central para entendermos, de fato, do que estamos falando. Nosso compromisso último não é com a política em si mesma. Nosso compromisso é com a construção de uma sociedade mais justa, comprometida com os ideais que já defendemos diariamente com algumas de nossas palavras e expressões, como é a belíssima e célebre “pão a quem tem fome e fome de justiça a quem tem pão”. É para a construção disso que devemos nos empenhar. E não com o empenho simplista e utópico de construirmos cidades onde vereadores e prefeitos não sejam corruptos. Esse bom ideal pode esconder atrás de si uma utopia comodista.

Quando o segundo objetivo (eleição de representantes perfeitos) passa a ser o nosso objetivo final, aí está um sinal, de que já entregamos a tarefa de realização do primeiro, que é a construção de justiça social, a alguém que não nós mesmos.

Não se trata aqui de negar a responsabilidade de políticos em geral. Trata-se, contudo, de uma necessidade urgente de retomada da consciência do papel de co-responsáveis daqueles que não ocupam cargos políticos diretos. Esse sentido de responsabilidade que parece ter sido roubado de mim e de você.

Para ser mais sintético, nossa preocupação central nessa empreitada deve ser a pessoa humana (“o homem todo e todos os homens”). E dessa preocupação todos devemos participar. E para isso a velha e mal fadada política tem um papel fundamental, não vale descartá-la. Se ela é velha e mal fadada, há que se tornar nova. E por falar em novidade, aí vai uma: atuação política não é sinônimo de votar de dois em dois anos (mas isso já é assunto para outro texto).

Certa vez, uma bela menina me perguntou com um sorriso: “e aí? O que fazer?”. Eu sorri de volta e ela disse: “é uma pergunta séria!”. Perdi o sorriso e sob a influência de um bom livro respondi: “Pra nós? Pra nós os canais de participação estão fechados”. Hoje, sob a influência de boas companhias (que por vezes são melhores que bons livros, dos mais bem escritos e mais clássicos) digo que os caminhos podem estar resumidos a trilhas mal definidas pela falta de quem as caminhe, mas estão lá!

Cabe a nós, (muitas vezes preguiçosos) colocarmo-nos a pensar e, com extrema importância, CAMINHAR!!!

[1] Congregação para a Doutrina da Fé, Nota Doutrinal sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política (24 de Novembro de 2002), 7: Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2002.

Sobre Breno Rabello

Professor, mestrando em Sociologia pela UFRJ e integrante da Oficina de Valores desde 2008. Escreve para o blog especialmente quando “coisas ruins acontecem no mundo”, dizem as más línguas. Se assim o fosse verdadeiramente, seria o mais assíduo articulista. Ainda assim costuma desconfiar com gosto dos pessimismos exacerbados. Mas e Machado de Assis? Sim, por favor, e cada vez mais!

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5 Comentários

  1. Breno…sensacional. De verdade cara. Como disse quando compartilhei é ótimo ver um sopro de bom senso no mar do senso comum.

    Fico irritado com 90% dos comentários sobre política que vejo na redes sociais. Percebo rebeldes sem causa que fingem ter consciência, propaganda sobre voto nulo baseado em uma interpretação errada da legislação, uma crítica sem autocrítica.

    Mais uma vez parabéns.

  2. Concordo intreiramente com você, Breno.

    Em especial quando fala que "Nosso compromisso é com a construção de uma sociedade mais justa, comprometida com os ideais que já defendemos diariamente com algumas de nossas palavras e expressões, como é a belíssima e célebre “pão a quem tem fome e fome de justiça a quem tem pão”. É para a construção disso que devemos nos empenhar. E não com o empenho simplista e utópico de construirmos cidades onde vereadores e prefeitos não sejam corruptos."

    Vemos que o nosso contexto político está permeado deste debate de quem ou que partido é mais corrupto e as questões que os políticos realmente deveriam discutir,como educação, saúde, drogas, entre outras, não são tratadas. Estou longe de aceitar a corrupção como algo correto, a honestidade é a regra. Mas ao meu ver a corrupção, não deve preencher nossa pauta política de nossa sociedade. Deve ser noticiada, combatida, investigada e julgada, com seus responsáveis punidos. E punidos tanto pela lei, como pela opinião pública através do voto e outros meios. E não ser usada como uma bandeira deste ou daquele sujeito ou partido. A corrupção não pode ser um ponto em que políticos e partidos se apoiem para atacar e defender.

    E, como você mesmo disse, só através do nosso empenho e iniciativa nós conseguiremos mudar esta situação.

    Mais uma vez, excelente texto.

    Abraços,
    André

  3. Faço coro ao Alessandro. Breno, sensacional!

    Como se eximir de discutir política em uma sociedade em que somos movidos por ela?

    Sou obrigado a parafrasear certo autor que diz:
    "Em política neutro é aquele que já se rendeu ao mais forte"

    É válido lembrar que o voto nulo acarreta em diminuição do quórum eleitoral e consequentemente facilita conseguir a cadeira legislativa, ou seja, com menos votos válidos facilitamos a vida dos candidatos.

    Precisamos nos aproximar desse tema se quisermos uma sociedade melhor. Somente conseguiremos conscientizar a população disso através da educação!

    Parabéns pelo texto Breno!

    Saulo Furtado

  4. Valeu gente,
    Há muito que se debater, há muito o que se viver…

  5. Vou chover no molhado para dizer que está maravilhoso do início ao fim. Excelente e necessário texto.

    "Hoje, sob a influência de boas companhias (que por vezes são melhores que bons livros, dos mais bem escritos e mais clássicos) digo que os caminhos podem estar resumidos a trilhas mal definidas pela falta de quem as caminhe, mas estão lá!

    Cabe a nós, (muitas vezes preguiçosos) colocarmo-nos a pensar e, com extrema importância, CAMINHAR!!!"

    É isso!

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