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Puros de coração

Querido leitor, independentemente de qual seja a sua idade, vez ou outra você deve se recordar dos tempos em que era criança e sentir saudades daquela época. Talvez, um dos nossos pensamentos recorrentes seja sobre o quanto a vida era mais leve ou o tanto que éramos inocentes quando mais novos, no sentido de que facilmente poderíamos acreditar na maior parte das coisas que nos diziam. Quem não tem uma breve lembrança daquele dia em que viu um brinquedo extraordinário, que poderia mudar o resto dos seus dias pra sempre e que você jurava poder morrer caso não o tivesse? Toda aquela expectativa caiu por terra quando ouviu aquele “na volta a gente compra”, não é? Mas eu tenho certeza que por um momento você acreditou nessa história. E isso é um bom sinal.

Nostalgias e brincadeiras à parte, quem nos dera ainda ter um coração puro e livre de pensamentos que nos corrompem, como naquela época. Me alegra ler a Carta de São Paulo a Tito, quando diz que “para os puros, todas as coisas são puras” (Tito 1, 15). Assim devia ser o nosso pensamento quando mais novos.

A partir disso, podemos pensar: o que houve, então, de errado com o mundo? Por que vivemos em uma realidade em que dificilmente conseguimos nos ver longe de coisas que nos fazem mal? Se formos analisar, estamos mergulhados em um meio que insiste em nos desvirtuar a todo momento. As redes sociais – e a internet como um todo, são um grande exemplo disso. Como é admirável compreender coisas que sem esse meio provavelmente poucos teriam acesso, mas, ao mesmo tempo, essas mesmas ferramentas podem ser um poço de perdição para muitos, e temos a degeneração explícita da virtude da castidade como exemplo.

E, respondendo aos questionamentos anteriores, acredite ou não, caro leitor, a pureza (ou a falta dela) não está nas coisas, mas no olhar que lançamos sobre elas. Isso é duro, eu sei. A culpa que eu projetei sobre o que há ao meu redor, na verdade, é minha. Olhei para fora, para as tristezas do mundo e só encontrei os reflexos do que havia dentro de mim. Precisou que ardesse em meu peito a profunda decisão de ver a Deus, de agradar-lhe e deixar de lado toda a duplicidade, para que então pudesse enxerga-lo nas coisas que estão a minha volta, extraindo assim aquilo que é impuro. É isso que a pureza de coração exige. Pois “ela [a pureza de coração] ilumina integralmente a existência e transforma o olhar sobre a vida”, é o que nos diz Jacques Philippe sobre a sexta bem-aventurança.

O Papa Francisco ainda vai comentar que “para podermos contemplar Deus, é preciso entrar dentro de nós mesmos e dar espaço a Ele”. Mas quantas são as vezes em que dentro de nós só há espaço para o amor próprio, para o pecado e o orgulho. E além de ferir o meu coração, sou capaz de machucar aqueles que me cercam. Eu não “transformo o meu olhar sobre a vida”, mas sobre o meu próprio umbigo. E é aí que devo me lembrar que tenho como missão transformar também o olhar que o meu próximo dirige às coisas, o levando a Deus, e não volta-lo diretamente a mim. O amor deve ser assim.

Todo o pecado faz com que o nosso olhar fique turvo, nos impede de ver a Deus. Consequentemente, nos afastamos Dele e perdemos a capacidade de amar, de ver aquilo que é bom. Restringimos o nosso olhar ao que é superficial. Não é difícil notar hoje em dia a objetificação do corpo, a perda do pudor… Enquanto devemos nos lembrar constantemente que não há pureza de coração se não há a pureza do corpo. Voltando à Carta de São Paulo encontramos mais uma verdade: “Para os corruptos e descrentes, nada é puro: até a sua mente e consciência são corrompidos”.

E é aí que você deve estar se interrogando sobre o quão difícil é a conquista de um coração puro, o quão dificultoso é ver a Deus nessas circunstâncias. Jacques Philippe nos acalma ao escrever que, ao contrário do que imaginamos, o coração puro não é um coração perfeito, livre de falhas ou defeitos, mas um coração inteiramente decidido por Deus. Um coração que, mesmo em meio às quedas diárias, sabe que pode depositá-las esperançosamente nas chagas de Cristo a fim de continuar caminhando em Sua direção. Pois Deus, não nos chamou para a impureza, mas para a santidade” (1Ts 4,7).

E, por fim, querido leitor, teremos a capacidade de dizer como Jó: Meus ouvidos ouviram falar de Ti, mas agora meus próprios olhos te viram (Jó 42, 5). E como Jó sofreu! Ainda assim, ele conservou o coração puro no sofrimento, na provação. E por muito menos nos afastamos de Deus. Isso certamente ocorre quando nos damos conta de que somos “pessoas grandes” e ousamos pensar que não devemos mais nos voltar a Ele como antes. Carregamos preocupações e coisas do dia a dia, e acabamos por deixa-lo em último lugar. Somos soberbos. Acontece que essa atitude vai nos distanciando Dele a ponto de nem mesmo ouvi-lo, quanto mais o enxergar. Um coração puro, como o de uma criança, vai trazer um esquecimento de si para se entregar inteiramente a Deus, sem reservas.

Mariane Ignacio

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