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Quero ser como Odisseu

Realmente busquei inúmeras maneiras escrever sobre isso sem rasgar meu coração com as palavras e, de tanto buscar, encontrei uma forma de espelhar minha alma nos papéis sem que vós, leitores, sofrais com a demasiada sensibilidade que se aloja em mim. Perdoem-me por insistir nesse tema, mas não sei fazer nem poema, nem canção, nem qualquer outro escrito que não fale de outra coisa senão o amor. Odisseu, mesmo que tenha muito pecado, testemunhou o que um dia espero testemunhar, pois não houve mar, céus, tempestades, monstros, nem maldade que o fizesse desistir de sua amabilíssima e fortíssima Penélope.

Nesse caminho de amadurecimento acerca do amor, principalmente de dois corações que se amam, uma das primeiras dúvidas que se encontram é sobre inconstância dos sentimentos que hora motivam, hora desmotivam. Será que preciso sentir intensamente a todo momento para amar? – pensara o coração em tribulação. Odisseu muitas vezes se perdeu por causa desses sentimentos que o levaram, por exemplo, a dar-se à Calisto, dar-se à honra, em vez de dedicar-se interior e completamente àquilo que era o mais importante para ele: sua casa, sua Penélope. Contudo, após vários momentos de conversão, diga-se de passagem, comum a qualquer casal de namorados apaixonados, Odisseu começara a agir por meio da vontade, pois percebera o vazio que havia em si mesmo que seria preenchido pela sua família.

Entretanto, sua odisseia não terminara após sua conversão, mas apenas começara. Foi necessário lutar constantemente contra as investidas das carências pela sua convicção, pela certeza do valor que continha Penélope. Ele precisou “persistir firmemente no bem, sem desistir quando apareceram obstáculos inesperados. Esses obstáculos o puseram à prova, e a constância consistiu em superá-los sem deixar que o derrubassem.” (Francisco Faus). Isso responde de certa forma a pergunta do coração apaixonado. Se Odisseu tivesse medido seu amor pelo que sentia, certamente teria deixado Penélope para abandonar-se nas drogas de Calisto. Não confundam, no entanto, com a ausência de sentimentos. O sentimento é o acréscimo, uma consolação, parte inseparável da realidade do amor na vida humana, mas ele não é superior à vontade.

A esperança de ver a sua amada, a fé de que ela o esperava, a certeza de seu caráter e de sua afabilidade, tudo isso dava forças a Odisseu e o renovava. “Quem sabe ser forte, não se deixa dominar pela pressa em colher o fruto da sua virtude; é paciente.” (S. Josemaria Escrivá). Fora preciso aprender a sofrer pacientemente, sem pressa, para que ele retornasse ao seio de sua casa. Odisseu foi quem foi porque havia nele a convicção de que esperar seria mais frutuoso, de que esperar o traria uma felicidade que nenhuma outra mulher a ele proporcionaria, convicção da singularidade daquela mulher, convicção da veracidade das suas virtudes, convicção da benção divina para aquela união, convicção de que amava a Penélope. Existe nisso tudo um desejo intrínseco vivaz, que provém de Deus. Não pode o homem querer sustentar um amor como esse sem o auxílio Divino. Nem mesmo Odisseu o fizera dessa forma. Mas se Deus suscita uma vocação, Ele há de sustenta-la. Alguns de vós, leitores, podem refletir sobre isso de maneira mais concreta. Entretanto, assumo diante de vós: quero ser como Odisseu – navegarei até a minha Penélope.

 

Daniel Saldanha – Oficina de Valores

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