BIGtheme.net http://bigtheme.net/ecommerce/opencart OpenCart Templates
Home / Formação Humana / Realizar para ser feliz ou ser feliz para realizar

Realizar para ser feliz ou ser feliz para realizar

Faz poucas semanas, me ocorreu um pensamento que julguei revolucionário — uma revolução pessoal, pelo menos. Um pensamento que eu, ao escrever, ainda estou digerindo: realizações não trazem felicidade, ao contrário, as pessoas felizes realizam coisas.

Defendo meu ponto.

Realizações exigem motivação. A tristeza e a infelicidade são grandes ladras de ânimo. Pessoas infelizes geralmente gastam muito tempo reclamando, são pessimistas porque tendem a achar que tudo vai dar errado como, supostamente, deu antes. É muito difícil encontrar razões para tentar, se esforçar, batalhar, quando se sente dessa forma.

Outra razão: pessoas infelizes tendem a buscar nas realizações (profissionais, amorosas, etc) aquilo que preencha o vazio que sentem, satisfaça a falta que eles têm não sabem bem do quê. A infelicidade é uma “consumista existencial”, e a experiência do consumismo é essa: ele é um buraco sem fundo.

E porque o infeliz está a procura de satisfação pessoal, não percebe que as grandes realizações da vida envolvem outras pessoas: com elas se divide o trabalho e o “salário”, os esforços da luta e os louros da vitória. E quando se procura também a realização do outro, é que se encontra a própria. Uma vitória pessoal, por pessoal que seja, nunca é solitária.

Enquanto a infelicidade é assim, autocentrada, um vácuo a sugar o que está no entorno na tentativa vã de se preencher, a felicidade é, claro, o oposto. Ela se expande. irradia.

A pessoa feliz também é uma “insatisfeita”, mas num outro sentido. Não é alguém que tem tudo o que um dia desejou ter. Primeiro porque, se fosse, a felicidade seria impossível: nós nunca deixamos de querer coisas. A quem tem tudo o que quer, geralmente chamamos “mimado”, e não costumam ser pessoas felizes. A felicidade é um impulso para realizações porque ela pede mais. E pede mais não porque precise, mas porque pode ter.

A lógica é outra: a felicidade é dinâmica, e não estática. Ela não é uma satisfação paralisante — o nome dessa satisfação é “zona de conforto”, em geral, uma inimiga das realizações.

O feliz pensa: “eu já tenho tudo o que preciso, mas não tudo que posso”. Pessoas felizes se esforçam por realizar mais, ao mesmo tempo em que aproveitam aquilo que já realizaram. Inclusive, aquilo do que já fizeram vem o impulso para fazer mais.

As pessoas felizes se divertem fazendo as coisas, e lidam bem com a frustração do fracasso: a felicidade delas nunca dependeu do sucesso daquela empreitada, elas permanecem completas.

Talvez uma imagem poética/matemática explique de forma mais sucinta o texto todo: enquanto a tristeza é uma conta de dividir, a felicidade é uma conta de multiplicar.

Sobre Gustavo Lima

Veja Também

Aviso: NÃO contém spoiler!

Em época de grandes lançamentos cinematográficos, após as frases que contém o nome do filme, ...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *