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Resenha – “A arte de aproveitar as próprias faltas”

Como podemos tirar proveito dos nossos pecados? É possível extrair algo bom de uma coisa tão terrível quanto os nossos erros e falhas?

Dentre as atividades que a Oficina de Valores propôs para esse ano de 2020 está o Grupo de Leitura. O grupo tem por objetivo a leitura e partilha de diferentes livros e, através dele, nós tivemos a oportunidade de aprofundar a leitura e partilhar um pouco sobre o livro “A arte de aproveitar as próprias faltas” escrito por Joseph Tissot.
Começando pelo título, o livro propõe algo um tanto inovador. Uma tendência que temos quando pensamos em nossos defeitos, faltas e pecados, é automaticamente reprimir tais pensamentos por vergonha ou, até mesmo, pelo medo de errar novamente. Essas lembranças trazem à nossa mente o quanto nossa condição humana é fraca; um sentimento de tristeza e humilhação invade nosso coração e podemos chegar à seguinte conclusão: os únicos frutos dos nossos erros
são a infelicidade, a culpa e a fatalidade. Porém, através das reuniões do Grupo de Leitura, nós compreendemos um outro lado das nossas faltas.

Primeiramente, é preciso aceitar que a natureza humana é pecadora. O pecado é uma falta contra a razão e a verdade; é uma falta de amor à Deus e ao próximo; é uma ofensa a Deus. São Paulo, na carta aos Romanos, afirma que todos os homens são implicados no pecado de Adão, e nos relembra a universalidade do pecado humano: “Pela desobediência de um só homem, todos se tornaram pecadores.” (Rm 5, 19). No livro, Joseph Tissot nos fala que não devemos nos admirar com as nossas quedas, pois é natural que cometamos erros. Apesar dessa realidade, não devemos desanimar, pois Deus sempre tira o bem de um mal. Ao lembrarmos de algumas situações do nosso passado é possível perceber que, por mais difícil e doloroso que tenha sido, resultou em algo benéfico, por menor que seja. Talvez o que ficou, dentre tantas outras coisas, foi o aprendizado de como é possível superar os momentos ruins, nos tornamos mais maduros, aprendemos a perdoar. Da mesma forma, acontece com as nossas falhas: Deus também tira um bem! É somente para o nosso bem, para o nosso proveito espiritual que Deus permite os nossos desacertos. Como? Nos tornando pessoas mais virtuosas, mais pacientes e mais fervorosas com a nossa fé. Esse proveito não é proveniente do pecado em si, mas da graça divina. Quanto maior for a nossa proximidade com Deus, maiores serão esses proveitos. Um importante passo para alcançarmos esses frutos é o autoconhecimento. Quando não conhecemos de fato quem somos, alimentamos a estima de nós mesmos, o amor próprio e o orgulho. Conhecendo o nosso interior percebemos quantas imperfeições e fraquezas ainda precisam ser corrigidas, e vamos assim percorrendo o caminho da mansidão e da humildade. Como nos diz o autor: “a humildade é o fundamento de todas as virtudes, e o orgulho, por sua vez, é o princípio de todos os pecados.” Porém, ao mesmo tempo que a humildade nasce do reconhecimento da nossa indignidade, as nossas quedas permitem que o orgulho se enfraqueça, pois revelam a realidade. Como disse São Gregógrio Magno: “Sucede às vezes que aquele que se vê coberto de muitas manchas aos olhos de Deus é todavia mais ricamente adornado com o vestido duma humildade mais profunda.”

Segundo o autor, vencer o orgulho e reconhecer os nossos pecados também é uma forma de sermos mais pacientes e indulgentes com os pecados alheios. Ao lembrarmos das nossas imperfeições, não nos espantarão as falhas do próximo. “Se formos humildes, não nos perturbarão as nossas imperfeições, lembrando-nos das dos outros; pois, para que havíamos nós de ser mais perfeitos do que os outros?” (São Francisco de Sales). Não podemos julgar os pecados das outras pessoas, pois como diz Santo Agostinho “não há pecado que outrem possa cometer, de que eu não possa manchar-me também”. Poderemos, dessa forma, nos servir de amparo ao próximo, como diz o autor “ganharemos o coração dos homens, porque todos saberão que, perto de nós, a sua reputação está garantida”.

Além disso, Joseph Tissot nos instrui a seguir o exemplo dos marinheiros que elaboram uma carta de navegação marítima na qual demarcam cuidadosamente os recifes e locais onde sofreram algum acidente ou naufrágio para guiar as futuras viagens. Também nós podemos elaborar nossa carta de navegação espiritual, tomar nota de faltas passadas, ilusões, causas de erros e más decisões para nos tornarmos mais prevenidos e cautelosos daí em diante. Eis então um dos frutos de nossas faltas: aprendizado. Somente através das lembranças de antigos erros nós podemos relembrar qual foi o sentimento consequente e como foi ruim ter cometido tais faltas para, assim, não voltarmos a cometê-las. Podemos olhar com bons olhos para a vergonha e humilhação proveniente das memórias sobre erros passados, pois nos farão, no mínimo, evitar tais decisões novamente.

Conhecer nossa natureza, portanto, não é sinônimo de comodismo. É preciso que busquemos nos superar a cada instante e recomeçar sempre que for preciso. O autoconhecimento é a chave para sabermos quais são nossas fraquezas, quais passos podemos dar e quais serão motivo de queda. Santo Agostinho resumiu essa verdade através de uma pequena frase: “Conheça-te, aceita-te e supera-te”. Apesar de todas essas condições, há um elemento que não podemos nos esquecer e que é capaz de reparar todos os nossos pecados: a misericórdia de Deus. Nosso Deus é misericordioso, ou seja, está disposto a perdoar livremente nossas faltas e nos acolher em sua presença paterna e amorosa. Acolher a misericórdia de Deus exige de nossa parte a confissão de nossas faltas. Tissot afirma que a confissão é “um consolo semelhante ao do doente que revela ao médico tudo o que sente”. Juntamente com a confissão, a penitência é uma forma de repararmos o erro cometido. É um momento de nos entregarmos ao arrependimento e ao desejo de recomeçar.

Se Deus, portanto, é a própria misericórdia, lembremo-nos da Mãe da Misericórdia: Maria. Joseph Tissot também recomenda que devemos pensar e evocar Maria nos momentos de tribulação. Diante de nossas faltas, nada mais reconfortante do que saber que há alguém a nos defender. Maria é nossa advogada e auxílio, é o refúgio dos pecadores, é o melhor meio para que nossas orações cheguem até Jesus da melhor forma possível. Busquemos consolo nEla. Por fim, podemos tirar proveito de nossas faltas ao reconhecer total dependência a Deus. Pela luz Divina nossas faltas são reveladas a nós e só em Deus temos motivo para repará-las e força para recomeçar. Aceitar-nos pecadores e necessitados do auxílio divino nos torna reconhecedores dos bens que Deus nos dá gratuitamente, pois “onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5, 20).

Ana Carolina Peixoto e Juliana Peixoto

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2 Comentários

  1. Resenha muito boa! É bom para sempre relembrar o conteúdo! Obrigada,meninas 🙂

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