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Resenha – “Os Quatro Amores: Amizade”

 

Se o tema desse texto não desperta seu interesse, chegou o momento de se questionar.

Ao ler o livro “Os quatro amores” do C.S. Lewis no grupo de leitura da Oficina de Valores, me deparei com o capítulo sobre o amor da Amizade. Inicialmente, fiquei um pouco desinteressada. Queria aprender e conhecer mais sobre o Eros ou a Caridade por serem meus dois exemplos legítimos e concretos de amor. Por conta desse sentimento, me questionei sobre o motivo que me fez desprezá-lo tão instantaneamente e cheguei à conclusão que realmente não conseguia enxergar a Amizade como um amor assim como os outros. Lewis, aliás, me incluiu no início do capítulo ao dizer que as pessoas consideram a amizade como uma coisa a parte, uma diversão ou simplesmente como algo que preenche as lacunas na vida. Pelo fato da amizade não ser biologicamente necessária a nossa sobrevivência –  por não possuir a procriação advinda do Eros ou o cuidado da Afeição -, e por não causar nenhuma repercussão em nossos corpos, como frio na barriga e batimentos acelerados, poucos a valorizam. E eu estava entre eles, mesmo tendo muito apreço pelos meus amigos. Muitas vezes, somos suscetíveis a, por exemplo, ter predileção pelo amor erótico e a nos interessarmos muito mais por assuntos românticos e relacionados ao Eros. Hoje proponho uma mudança em nossa concepção e, para isso, precisamos compreender alguns aspectos importantes sobre a Amizade.

Antes de qualquer coisa, se faz necessária a diferenciação de amizade para companheirismo. Muitas vezes, chamamos de amigos aqueles que compartilham uma mesma atividade conosco como o trabalho ou faculdade. Apesar de o companheirismo ser uma ótima forma de começar uma grande amizade, somente isso, é mero coleguismo. Amizade é algo mais elaborado e diz respeito a compartilhar algo a mais que a simples atividade em comum. Amigos são aquelas pessoas que partilham de uma mesma verdade ou ideal. A partir do momento em que duas ou mais pessoas descobrem que possuem questões em comum surge uma faísca desse amor tão especial. E é justamente por isso que quando procuramos fazer amigos, independente dos ideais dessas pessoas, nenhuma amizade poderá surgir. Como afirma Lewis: “Aqueles que nada têm, nada poderão repartir; aqueles que estão a caminho de “lugar nenhum” não poderão ter companheiros de viagem”.

Justamente por conta disso, a Amizade não é curiosa. Essa segunda característica confirma que nós realmente não procuramos saber sobre a vida familiar, passado, classe social ou renda dos nossos amigos. Esses conhecimentos específicos surgem casualmente ao longo das conversas como pontos de referência, mas não são critérios para iniciar uma verdadeira amizade. A Amizade é totalmente livre dessa curiosidade e isso a torna um amor puro e desinteressado. Ninguém reivindica ou tem qualquer responsabilidade com o outro, mas todos são pessoas livres e iguais dentro da Amizade.

Outra característica é o fato da amizade verdadeira ser o menos ciumento dos amores. Ao contrário do amor entre um casal de amantes, compartilhar não é o mesmo que retirar, ao contrário, ele aumenta e multiplica. Quanto mais pessoas se envolvem em torno de um mesmo ideal ou verdade, mais fortalecida se torna essa amizade. Temos a tendência de nos excluirmos com nosso grupo e às vezes ficamos incrivelmente incomodados quando surgem outras pessoas nesse ciclo de amigos, mas precisamos ficar atentos à forma como domamos nossos sentimentos. A luta por minimizar os sentimentos possessivos que tendem ao isolamento de um grupo de amigos deve ser constante.

Para finalizar, como principal característica, precisamos compreender que para nós cristãos, não existem coincidências. Cristo escolheu seus amigos e discípulos e hoje nos diz: ‘vocês não escolheram uns aos outros, eu escolhi vocês uns para os outros’. Nas palavras de C. S. Lewis: “Nesse banquete, é Ele quem põe a mesa e é Ele quem escolhe os convidados”. Cada amigo que aparece em nossas vidas é um instrumento de Deus para nos apresentar virtudes e uma boa amizade é capaz de potencializar cada uma delas. Precisamos valorizar os amigos que Deus colocou em nosso caminho, pois foram escolhidos por Ele para que nos santifiquemos.

Faço agora as seguintes perguntas: quem são os seus verdadeiros amigos? Quais pessoas são o alvo do seu amor Philia? Você tem cativado suas amizades? Medir em níveis de amor pode ser um pouco complicado, mas as pessoas que vieram em sua mente neste momento podem ser significativas na sua vida. Proponho, então, que você reze por estas pessoas neste dia. Peça a Deus pela vida, dificuldades e sonhos de seus amigos.

Não podemos nunca nos esquecer de colocar nossas amizades em nossas orações. Lembremo-nos também de rezarmos com os nossos amigos, com as pessoas que tiram o melhor de nós e nos aproximam de Deus. Cada passo dado entre amigos é um teste da consistência desse vínculo. A cada situação enfrentada em conjunto, a Amizade floresce em admiração, confiança, respeito e afeto. Ao se provar verdadeira, real e também cheia da presença de Deus, a Amizade passa a ser, enfim, um grande amor.

 

Ana Carolina Peixoto – Oficina de Valores

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