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Resenha – “Todos os Caminhos Levam a Roma”

“Talvez não haja nos Estados Unidos uma centena de pessoas que odeiem a Igreja Católica; mas a milhões de pessoas que odeiam aquilo que erroneamente supõem ser a Igreja Católica” – Fulton Sheen. 

O livro Todos os Caminhos Levam a Roma nos contará o processo de conversão ao catolicismo do casal Scott e Kimberly Hahn, e como a busca pela verdade de Cristo nos leva à Santa Igreja Católica.

Scott e Kimberly vieram de famílias protestantes, embora com diferentes vivências. Kimberly nasceu em berço protestante e esteve dentro da igreja sua vida inteira, já Scott acabou por desviar do caminho por um período. Ele acaba por voltar para Cristo em um retiro protestante, e seu mergulho nos escritos de Lutero e Calvino o torna um anticatólico. Firme em sua “missão” de converter os católicos ele tentava se armar de argumentos, que, como ele mesmo diz, faziam varias pessoas duvidarem de sua fé.

O que chama atenção de Scott e inicia seu processo de conversão ao catolicismo, é a maneira com a qual os católicos lidam com o Batismo e com o tema da justificação. No mesmo período Kimberly traz a discussão acerca da abertura do casal aos filhos, e é possível notar a percepção do casal sobre esses temas aparentemente sem ligação. Ambas as realidades estão ligadas ao conceito de aliança – a Eucaristia, que é corpo de Cristo, é a renovação da Nova Aliança feita por Deus, que tem por sinal o Batismo, já que é o sacramento que nos dá a filiação divina, e a renovação da aliança matrimonial que se dá na relação conjugal aberta aos filhos. “A fertilidade é apresentada como algo que se deve apreciar e celebrar, não como uma doença que se deve evitar a todo custo”. O sacramento do matrimônio é tão verdadeiro que ao tornar duas pessoas uma só carne acaba por gerar uma nova vida.

A grande conexão entre Scott e Kimberly é percebida durante toda a narrativa. Mesmo com os momentos conturbados que passaram com a conversão de Scott, eles sempre se esforçaram para levar o matrimônio da maneira que deve ser vivido, indissolúvel. Vemos a grande doação das duas partes, que não hesitam em abrir mão de si mesmos para serem cúmplices um do outro. “O casamento não é difícil, é humanamente impossível. Por isso, Cristo o restabeleceu como um sacramento”.

O abandono que Kimberly sentia em vários momentos foi se transformando em confiança em Deus, e ela percebe que realmente deveria se lançar nos braços do Pai e deixar-se transformar verdadeiramente, somente assim o sofrimento faria sentido. “Senhor irei onde tu quiseres que vá, farei o que Tu quiseres que faça, direi o que Tu quiseres que diga, e entregarei o que Tu quiseres que entregue” – Essa oração ensinada a Kimberly pelo seu pai nos rememora a importância de lembrar que os planos de Deus são melhores que os nossos. O abandono total, desde a abertura aos filhos até a mudança de religião, passa a dar frutos, e Kimberly passa por momentos difíceis que levam a uma grande intimidade com o Senhor. Além disso, a tomada de sentido acerca de elementos do Catolicismo, como a comunhão dos santos faz com que ela não se sinta sozinha. Podemos nós também contar sempre com amigos no Céu que intercedem por nós. Todo o deserto pelo qual ela estava passando passa a ter novo significado – “Percebe agora como Eu te amei, minha filha? Eu te fiz sofrer para te curar, para te atrair até mim”. Deus utiliza de nossas dores para voltarmos os olhos para ele.

O casal teve problemas também com a doutrina sobre Maria, o relacionamento com ela não foi fácil para nenhum dos dois inicialmente. Não pude ler essa parte e não me lembrar do momento inicial da minha conversão – realmente é um processo reconhece-la como Mãe. Porém, as razões pelas quais Maria deve ser honrada expostas no livro são de uma beleza tremenda, Maria, como a obra prima de um pintor, é a criatura mais perfeita de Deus, então ao contemplarmos a obra prima do Autor estamos glorificando a Ele.

“Quem quiser me seguir renuncia a si mesmo e siga-me”. A renúncia de si e das verdades que o casal tinha para si nos traz, ao longo do livro, o mesmo desejo de também renunciar tudo àquilo que não está de acordo com os desejos de Cristo. Essa bela história realmente nos convida a uma conversão diária, por isso essa leitura é valiosa tanto para quem está iniciando na vida de fé quanto para quem já possui um longo tempo de caminhada.

A busca de Scott pela Verdade nos traz um sentimento de busca pelas coisas do Alto e lembra da importância das preciosas bases da Igreja, a Sagrada Escritura, Sagrado Magistério e Sagrada Tradição, não só para que não caiamos em argumentos falhos acerca de nossa fé, mas para que também possamos nos tornar evangelizadores.

Kimberly ao relatar seus momentos de sofrimento nos mostra como a dor pode transformar-se em louvor, em volta para casa, por isso, afirmo que o período que esse livro foi lido, durante a pandemia do Covid-19 (março/abril de 2020), foi propício para que nós também fizéssemos desse “deserto” um momento de intimidade com o Senhor. Nesse momento que vivemos, a forma com que Scott e Kimberly falam dos sacramentos fomenta em nós o desejo de recebe-los, mas também mostra que Deus é próximo, presente no dia-a-dia. Ele cuida de todas as coisas, nos trata verdadeiramente como seus filhos, entende as situações que estamos passando e se importa.

Enfim, a leitura nos lembra da beleza de estarmos na Igreja fundada por Cristo e a esperança renovadora de que todos os caminhos levam a Roma, todo aquele que busca de coração a Verdade irá encontra-la e reconhece-la.

“Mas agora, Senhor, posso sentir o teu amor por mim em plenitude. Tu não me amas só agora que cheguei à verdade. Tu me amaste em cada passo do caminho, pelo que sou, não só pelo que viria a ser”.

Stephanie Menezes – Oficina de Valores

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