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Será que ninguém presta mesmo?

 

Como estudante de jornalismo, o que gosto de fazer é contar boas histórias, com bons personagens. Não pretendo e nem tenho base filosófica suficiente para analisar o tema sobre o qual vou falar. Quero apenas tentar fazer o que fazem todos os que escrevem sobre o cotidiano: contar as próprias experiências, na esperança de que algo sirva para quem lê.

Apresento-lhes, então, alguns personagens:

Um professor de sociologia, que só anda de preto para representar o luto pela sociedade e diz não amar ninguém além do seu cachorro, por ser o único capaz de corresponder ao seu amor – detalhe: o professor é casado e tem um filho. É que ele diz saber que até mesmo o filho um dia vai virar as costas para ele;

Uma professora de história da arte, que diz acreditar fielmente que pessoas felizes são as mais burras e se incomoda com a felicidade alheia;

Um amigo que diz que o ser humano é o pior vírus que existe;

E eu, que confesso ter me sentido um tanto quanto ofendida por ter sido chamada de vírus, burra e ser julgada menos capaz de amar do que um cachorro.

Escuto com a maior atenção do mundo o argumento de pessoas pessimistas, mas a partir daí, redobro a atenção nas atitudes delas. Mal sabem elas que me desafiaram.

Procuro entender o que leva uma pessoa a olhar para todo o potencial de mal do ser humano e desconsiderar qualquer potencial de bem. Tenho as minhas desconfianças de que essa desesperança toda tenha mais a ver com as frustrações e decepções sofridas ao longo da vida e com a falta de um sentido maior, do que com qualquer pensamento lógico.

Lembro bem do dia em que o professor de sociologia deixou a sala de aula correndo ao receber uma ligação avisando que o seu filho estava com um problema grave de saúde. Na mesma semana, apareceu para dar aula com um semblante péssimo por ter passado a noite em claro cuidando do menino. Não desgrudava o olho do celular preocupado à espera de notícias. As atitudes de amor dele pelo filho foram tão óbvias, assim como quando ele deixava escapar certa preocupação com o ensino dos jovens e algumas outras questões humanas, que não precisou de muito esforço para a turma concordar: “essa postura de durão dele é só fachada”.

Teve uma aula em que a professora de história da arte contou que se casou mais de uma vez, que já sofreu muito por amor, e que uma vez até mesmo viajou um ano inteiro pelo mundo em um veleiro a procura de si mesma. Ela fala emocionada sobre as suas histórias e relacionamentos passados.

E aquele meu amigo, não me esqueço do dia que em meio a uma viagem nossa fora do país, desavisado que eu chegaria tarde devido a compromissos de trabalho, não conseguiu dormir madrugada adentro enquanto eu não tivesse pisado em casa. Dele eu posso falar com autoridade: é uma das pessoas mais sensíveis aos outros que eu conheço, ainda que não saiba disso.

Pois é. O que os três têm em comum? Não conseguem permanecer por muito tempo na posição de quem não acredita no potencial de bem do homem. Basta um breve descuido e a armadura cai.

Nesse momento estive certa de que eu não acredito, e desconfio que nem eles, que de fato pensam que o ser humano é um vírus que não pode amar nem ser feliz.

Ufa, me senti menos ofendida.

E percebi: quanta vontade de encontrar o amor e a felicidade. Quanta dificuldade de saber onde encontrá-los…

Entendo, é mais cômodo se convencer de que não existem.

 

Nathalia Melo
Estudante de Jornalismo – PUC – Oficina de Valores

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3 Comentários

  1. Como é bom poder ler quem lança um olhar maduro e cirurgico sobre a realidade…as pessoas são boas SIM!!!!!

    Bgd, Nat

  2. Anderson Dideco

    Nathalia, continuo contando suas histórias.
    Muitas vezes, um bom cronista supera um filósofo por sua auto-reconhecida humanidade. Olhar os outros de um patamar de igualdade faz toda a diferença!
    Abç!

  3. Anderson Dideco

    Quis dizer "continue!", rs.

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