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Solidão: um bem necessário

Você já passou pela experiência de ficar totalmente sozinho? Não estou falando de solidão no sentido de se sentir desolado ou triste, mas no sentido de estar a sós: só você e sua mente. Já experimentou?

Pois bem, acontece que, quando os dias frios chegam, o céu azul é tomado pelo nublado cinza e os chinelos ficam mais apertados pelas meias, nasce uma vontade de colocar um pouco de água para ferver e é uma ótima pedida para dias assim: o frio pede aquele chazinho! Beber e sentir sua quente temperatura descer pela garganta indo direto aquecer o coração é transformar o frio em aconchego. E assim ficamos, aquecidos e tranquilos.

O grande problema nasce aí. Momentos como este, em que nossa mente se desconecta momentaneamente da rotina e da correria, colaboram para que caiamos na maior armadilha que pode existir. Hoje chamarei de “a grande armadilha do chá”: pararmos para pensar em nós mesmos. E se cairmos, já era!

Essa agonia se inicia com pensamentos inocentes. Primeiro, nos lembramos daquele vexame que passamos na reunião de família e da última mancada que demos com os colegas. A segunda etapa, um pouco mais difícil, é quando começamos a refletir sobre alguns erros passados e nos lembramos das pessoas que talvez tenhamos decepcionado. Esse pensamento já se torna um gatilho para a terceira e última etapa, a mais dolorosa, quando pensamos sobre nossos grandes defeitos, coisas que deixamos de fazer, nossos maiores medos, no quanto somos falhos… Que agonia! Chegar nesse ponto é chegar à dor. Machuca pensar em todas essas coisas e, independente da etapa, machuca pensar. É melhor pararmos por aqui e procurarmos logo nosso celular para distrair, não é mesmo? Para falar a verdade, cheguei à conclusão que as pessoas têm feito isso com frequência. Seja bebendo chá ou café, quando começam a pensar em si mesmas dão um jeito de fugir. Santo Agostinho, em suas Confissões, também concluiu: “Os homens vão admirar os píncaros dos montes, as ondas alterosas, as largas correntes dos rios, a amplidão do oceano, a órbita dos astros: mas não pensam em si mesmos!”. Talvez para escapar da dor ou para não mexer em feridas nunca antes tocadas, nós nos esquivamos dessa conexão com o nosso interior.

A grande questão é que feridas precisam ser compreendidas para que possam ser curadas. Pensar exige, olhar para dentro dói, mas adiar a busca pelo autoconhecimento pode nos esgotar ainda mais e a sensação de que algo está pendente irá persistir a todo instante e a cada novo relacionamento, como se houvesse uma dívida interna com nós mesmos. Ficamos aflitos sem saber o porquê, pois sem o autoconhecimento perdemos também o controle sobre as nossas emoções.

Acontece que, muitas vezes, nós não temos tempo para viver este processo de autoconhecimento. Não temos tempo para nada. Até o tempo de descanso nós gastamos com outras coisas. Porém, é importante lembrar que existem caminhos que não podemos andar acompanhados, é necessário tirarmos um tempo para observarmos o nosso jeito de ser e de viver. Através desse tempo de dedicação, oração e de contato interior nós vamos compreender como nos comportamos, como reagimos aos acontecimentos e, posteriormente, seremos capazes de aprimorar nossas reações, emoções e até hábitos. Eis uma tarefa cansativa e, às vezes, dolorosa, mas em minha vida pude descobrir que há uma fonte inesgotável de sabedoria, paz e misericórdia: Deus. Assim, nos voltando a Ele humildemente, como filhos necessitados, nós podemos pedir Sua intervenção e auxílio neste percurso. Deus irá nos iluminar e nos mostrar o que nos cabe conhecer, agradecendo e glorificando Seu santo nome a cada nova descoberta e a cada passo dado.

Experimentar a solidão e ter um relacionamento honesto com nosso próprio eu pode ser saudável e gerar muitos frutos. Pensar em si mesmo e tentar se conhecer não é remoer o passado com peso e se torturar. Pelo contrário, é olhar para tudo o que passou com carinho, com a certeza de aprendizado, e reconhecer que mesmo com as falhas, nós somos capazes de realizar coisas boas e edificantes, pois somos filhos amados do Pai. Conviver com nosso eu é positivo e é um dom que Deus nos concedeu.

Portanto, devemos aproveitar cada momento de solidão. Aproveitar nossa própria companhia é luxuoso e é, também, uma forma de agradecer a Deus pela nossa vida, pelos nossos pensamentos e nossos sentimentos. Da mesma forma que estar entre amigos ou pessoas queridas é desejável e valioso, estar a sós também é uma dádiva e não podemos perder qualquer oportunidade. Que possamos entender o valor de tomar chá e o quão bom isso possa ser. Então, seja tomando chá, admirando a paisagem na janela, junto à natureza ou caminhando na rua: ouse oferecer-se a você.

Ana Carolina Peixoto

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Um comentário

  1. Vinícius Simas

    Que texto!!!

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