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The Office: a vida documentada

A Oficina de Valores dedicou este mês de julho à Cultura Pop e, na semana sobre as séries de TV, seria indispensável falar sobre a melhor série de comédia de todos os tempos: The Office!

Não sei vocês, mas as séries televisivas estadunidenses de comédia me acompanham desde sempre. Começando por “Todo mundo odeia o Chris” e “Eu, a Patroa e as Crianças, passando por “Friends” e “How I Met Your Mother”, mais recentemente “Brooklyn 99”, entre outras. Eu poderia falar empolgadamente sobre qualquer uma delas, mas, para ser sincera com vocês e comigo mesma, decido-me por The Office e dou-lhe o prêmio de série que mais me fez dar boas risadas nos últimos tempos!

Então, vamos lá: The Office (2005-2013) é a versão estadunidense da série britânica com o mesmo nome e narra o cotidiano de uma filial, localizada na cidade de Scranton, Pensilvânia, de uma empresa fictícia de papel chamada Dunder Mifflin Paper Company. Em nove temporadas, a série simula o formato de um documentário e, além de ser filmada com uma única câmera, não possui algumas das características presentes em outras sitcoms como reações de plateia e risadas.

Já nos primeiros episódios somos capazes de identificar personalidades marcantes e que dizem muito sobre o mundo corporativo e do trabalho: Michael Scott (Steve Carrell), o gerente regional cheio de si e que, na tentativa de ser querido e engraçado, acaba sendo desrespeitoso e inconveniente; Dwight Schrute (Rainn Wilson), o vendedor “puxa-saco” do gerente, que vive pelo trabalho e que almeja o poder a qualquer custo; Pam Beesly (Jenna Fisher), a recepcionista que deseja uma carreira melhor e que sonha em ser uma artista plástica. Há ainda muitos outros personagens, como os outros vendedores, contadores, representantes do controle de qualidade e entregadores, que poderiam ser minuciosamente analisados e contemplados.

De modo geral, a série relata o cotidiano de trabalho de pessoas que, em sua maioria, não gostariam de estar ali e que enfrentam até certo vazio existencial gerado por uma rotina tediosa e desinteressante. Por esse motivo, tentarei responder a seguinte pergunta: por que assistir a vida de trabalho de um grupo de pessoas se tornou, em algum momento, algo tão interessante e atrativo para nós?

Em primeiro lugar, posso pontuar uma das motivações em assistir The Office durante a pandemia: a nostalgia do trabalho presencial. Em um momento em que reuniões e encontros passam a acontecer de forma virtual, acompanhar o dia-a-dia de pessoas indo ao trabalho pode, de certa forma, dar uma sensação de continuidade de nossa vida. Além disso, por se tratar de uma série mais realista, com situações mais prováveis de acontecer (como as problemáticas do escritório, relações com clientes, fusão da vida do trabalho com a vida privada, relacionamentos, etc.), podemos criar maior identificação com os personagens e suas vivências, o que torna a série ainda mais atrativa.

Outro ponto que faz de The Office uma série interessante é seu teor político. Pode passar despercebido para algumas pessoas, mas podemos perceber inúmeras críticas políticas e sociais por trás de suas falas e cenas. Essa esfera é ainda mais perceptível na pessoa de Michael Scott. Michael é a caricatura do gerente narcisista e negligente que, em prol de passar uma imagem de um chefe camarada, é, diversas vezes, muito preconceituoso e intolerante. The Office, muitas vezes de forma bem sutil, faz com que nós tenhamos um panorama sobre o opressor de nossos tempos: é aquele incapaz de enxergar o mundo para além de si mesmo. Em The Office nós não rimos com o opressor, nós rimos dele e de sua tamanha incompreensão sobre o mundo, sobre as diferentes culturas e sobre si próprio. Michael Scott é o personagem que nos mostra o quanto podemos ser insensíveis com as pessoas que nos cercam e principalmente com o desconhecido, mesmo que tenhamos boas intenções. Steve Carrell, ator que interpreta o Michael, em uma entrevista ainda brincou: “Se você não conhece um Michael Scott, você é o Michael Scott”. De fato, esse personagem faz com que nós, no mínimo, passemos a questionar nossas resistências, comportamentos e falta de empatia frente às outras pessoas.

Uma última característica da série, talvez a mais importante, são as relações humanas que ali encontramos e acompanhamos. Apesar de compor um cotidiano tedioso e aparentemente monótono, o trabalho daquelas pessoas torna-se, em algum momento, uma das esferas mais importantes de suas vidas. Podemos perceber que as pessoas daquele escritório acabam se tornando essenciais na vida uma das outras, seja em termos de amizade ou de relacionamento amoroso. A convivência diária faz com que as pessoas se conheçam em seus melhores e piores dias, compartilhem suas experiências e participem, de forma ou de outra, das diferentes fases da vida do colega de trabalho. Além disso, para dar mais leveza à rotina acabam inventando brincadeiras, piadas e modos de se divertirem juntos, o que fortalece ainda mais os vínculos e faz com que a felicidade também seja  possível no ambiente de trabalho. Uma das frases mais marcantes do personagem Jim Halpert (John Krasinski) deixa claro o quanto o trabalho pode se tornar uma experiência que ultrapassa aspectos profissionais: “Everything I have I owe to this job…this stupid, wonderful, boring, amazing job”/ ”Tudo o que possuo devo a este trabalho…esse estúpido, maravilhoso, chato, incrível trabalho”.

Todos esses detalhes me transbordam a contemplação pela vida cotidiana e fazem meu coração valorizar ainda mais as pessoas que estão ao meu lado, principalmente as que compõem meu caminhar profissional. Essas pessoas fazem parte de uma das esferas mais importantes da minha vida e agradeço a cada uma delas por tirarem o melhor de mim todos os dias, sejam eles bons ou ruins. Essas pessoas me ensinam a ter mais carinho, paciência e amor pelos que me cercam. As melhores brincadeiras, piadas e perrengues acontecem ao lado dos colegas do cotidiano e as melhores histórias são criadas assim: nos dias comuns.

Para concluir, podemos comprovar que uma série como The Office pode proporcionar sentimentos que vão muito além de boas risadas. Neste momento, acolho os ensinamentos de São Josemaría Escrivá para deixar um singelo desejo: que nosso trabalho seja nosso caminho de santificação e que realizemos nossa missão profissional da melhor forma possível, mobilizando nosso corpo, nossa mente e nosso coração de forma completa. Que nós estejamos abertos às pessoas que nos cercam no ambiente de trabalho/estudo, que nos deixemos ser transformados por elas e que nossa história esteja pronta para conhecer toda e qualquer possibilidade. Devemos ser ousados e permitir que um simples dia de trabalho seja o melhor dia das nossas vidas e permitir que pessoas comuns sejam nossos melhores amigos. Vai que acontece algo extraordinário…

“You miss 100% of the shots you don’t take – Wayne Gretzky” -Michael Scott

 Ana Carolina Peixoto

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