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Uma lição difícil de se aprender

 

Além do habitual contato com leituras Bíblicas na Missa dominical, temos o hábito, em casa, de ler o evangelho após o almoço de domingo, ainda que convivamos, em família, com mais de uma realidade religiosa. Muitas vezes, ao observar a realidade cotidiana, a firme e clara impressão que me fica é a de que Jesus nos deixou uma missão, uma ideia, uma atribuição, ou seja lá o nome que seja possível ou apropriado dar, muito difícil e desafiadora: amar o próximo.

Quando esse próximo é nossa mãe, nosso marido, um grande amigo ou pessoa que respeitamos, isso é realmente fácil e natural. O amor vem como consequência da convivência e admiração que temos pela pessoa e então somos e temos bons “próximos”. Mas, pensemos: quantas vezes não cruzamos com pessoas difíceis, diferentes de nós? Ou ainda, de maneira ainda mais grave e complicada, quantas pessoas podem dizer que amam o assaltante que lhes levou dinheiro? O agressor que lhes tirou dentes? O motorista embriagado que lhes tirou um familiar?

Parece realmente impossível amar um sujeito assim. Um assassino, um agressor, um criminoso, um político desonesto, um mentiroso que nos magoou, um ladrão que nos prejudicou. Não pense o leitor que estou aqui dizendo que eu tenho tal capacidade, mas gostaria de dividir com vocês aquilo que acredito ser um caminho para aproximarmo-nos de seguir o que Jesus propôs de maneira mais completa. Como amar um estuprador? Como amar a pessoa que te fechou no trânsito? Jesus foi, sem dúvida, o homem mais radical que já existiu. Que proposta…

Certo dia, ao me lembrar de um caso parecido com esses que exemplifiquei, me peguei sentindo coisas realmente ruins, como qualquer pessoa que já tenha experimentado algo parecido. Naquele momento me pareceu impossível amar tal pessoa, sentir qualquer tipo de respeito, misericórdia, qualquer coisa boa por tal ser humano. O que me ocorreu ao lembrar a mensagem de Jesus? Que eu rezasse por tal ser humano. Sim, já que não me foi possível amá-lo em plenitude, que eu pedisse Àquele que é perfeito que fizesse por tal pessoa alguma coisa. Não justifico minha ação dizendo que aquilo me tenha feito bem – o que de fato ocorreu –, mas o principal motivo que me leva a indicar tal atitude é a percepção de que essa é a coisa certa – o mínimo, talvez. Não devemos pagar o mal com o mal, nem sermos vingativos, mal educados ou coisa parecida, já que nosso propósito é seguir aquilo que nos foi deixado como modelo de conduta. Assim, rezar pode ser um caminho de amor.

Jesus nos apresentou uma conduta difícil e maravilhosa. Amar. Por isso me parece natural perceber a radicalidade (de buscar na raiz) de seus ensinamentos frente à natureza humana. Quantas vezes não fomos criticados ou criticamos, colocando como ruins e intransigentes os radicalismos de algo ou alguém? Mas acredito que seja fácil ver que o radicalismo, naquilo que se refere à conduta do bem e do amor, é o caminho correto… Alguém escolheria ser “meio bom” só para não ser radical? Não gostaríamos todos de ser radicalmente honestos?

Para encerrar, volto à oração, que é, como sabemos, parte imprescindível de nosso relacionamento com Deus. Através dela nos aproximamos da raiz do que Jesus nos deixou e conseguimos, também, colocar para Deus uma situação que nos afasta do ideal de amor ao próximo pedindo por nós, para que o consigamos, e pela pessoa, para que ela encontre o caminho, a verdade e a vida.

Joyce Scoralick
Mestranda em literatura – UFJF – Oficina de Valores

 

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