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Virada impossível ou comodismo?

Um momento particular de um jogo, qualquer jogo, sempre me chamou especial atenção: o momento em que o time que dominou quase toda a partida é surpreendido por uma inexplicável reação do time adversário e, de repente, se vê tomado por um desânimo absoluto e pela sensação de estar tudo perdido. Só quem já passou por essa situação sabe que, às vezes, durante uma partida, é mais confortável estar na posição de perdedor do que de ganhador. Explico.

Flamengo x Fluminense, fase de classificação da taça Guanabara de 2004. Poderia dar inúmeros exemplos, mas não penso em outro melhor, já que tive a honra de estar presente no Maracanã, e, mesmo ainda criança, ter gravado cada detalhe do jogo.

Resumo: 3×1 para o Fluminense até os 24 minutos do segundo tempo, quando, em meio aos gritos de olé da torcida tricolor, o Flamengo inicia uma arrancada histórica e termina a partida ganhando de 4×3. Um jogo para ficar na memória.

Quem joga sabe. Acontece com frequência. O time que sai ganhando logo no começo não consegue manter o resultado. É o famoso “psicológico” entrando em campo. Perder é ruim, não há dúvidas. Estar perdendo, porém, pode ser um grande estímulo para dar a volta por cima e ser tomado por uma vontade quase que avassaladora de ganhar ­­­­- provavelmente o que aconteceu com o Flamengo aquele dia. E estar ganhando é… Possibilidade de tudo mudar e ser derrotado, talvez?

Chego ao ponto que queria: Reagir frente a uma derrota é difícil, e muito, mas ainda mais difícil é saber continuar vencendo.

Eu, particularmente, sempre preferi a sensação de entrar para decidir. Não é fácil, mas a meu ver, não se compara à dificuldade de carregar o peso de uma vitória nas costas. Costumo pensar: “vamos lá, tudo o que fizer de bom é lucro”. Vou sem medo. Já o contrário, tudo o que fizer provavelmente será pouco reparado e tomado como obrigação de um time que está ganhando.

Talvez por isso ganhar de virada no finzinho seja “mais gostoso”. Faz sentido. Tomados o jogo inteiro exclusivamente pelo sentimento de superação de quem não tem nada a perder, não precisamos ver tão de perto os momentos de medo de tudo desabar, de pouca emoção, pouco sentimento, em que é preciso constância e vontade de ser ainda melhor.

É certo: não há vencedor que não tenha que experimentar o gosto derrota. Mas confesso… Tenho medo de me tornar dependente dessa força que vem quando estou perdendo. Medo de ter que necessariamente me ver lá embaixo para querer estar em cima. Medo de nunca saber lidar com essa responsabilidade e acabar me conformando.

Escutei algumas vezes de comentaristas esportivos: “o time não teve maturidade para manter o resultado positivo”. Concordo, é necessário maturidade. Admiro quem tem forças para usar uma derrota a seu favor e reagir. Fico admirada toda vez que me lembro daquela reação histórica do Flamengo. Mas devo dizer que admiro especialmente a força daqueles que conseguem sustentar uma vitória.

Enfim.

Esse momento de possibilidade de virada do jogo, qualquer jogo, sempre vai me chamar especial atenção. Talvez porque saiba que a partida não será morna, que algo extraordinário está para acontecer. Seja quem perde se levantando mais forte do que nunca. Seja quem ganha lutando com a disposição de quem perde para permanecer de pé.

 

Nathalia Melo
Estudande de jornalismo – PUC – Oficina de Valores

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Um comentário

  1. Anderson Dideco

    Bem interessante. Isso talvez explique pq eu sempre torço pra quem está perdendo. E 'viro a casaca' imediatamente se o placar se inverter, rsrsrs.

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